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Monday, November 24, 2025

Portfólio de Carreira: o registro da sua jornada com propósito

 Há algum tempo, tenho falado sobre um tema que considero essencial para qualquer pessoa que deseja crescer com intenção e clareza (além de self-advocacy): Portfólio de Carreira.

Em maio deste ano, tive a oportunidade de apresentar esse conceito no Women in Tech Global Conference, com a palestra "Crafiting your Career Portfolio: The Key to Self-Discovery and Professional Growth".

E, mais recentemente (na última sexta-feira), conduzi uma mentoria aberta na comunidade do TDC (The Developer's Conference) com o título: "Portfólio de Carreira: o registro de sua jornada com propósito".

As experiências se complementam, e reforçam algo que podemos ver facilmente ao nosso redor (e até mesmo, conosco!): Muitos profissionais tem carreiras lindas, com um monte de realizações, mas não têm um registro estruturado da própria trajetória, dos aprendizados, dos desadios superados e da forma como evoluíram ao longo do tempo. E isso, com o tempo, pode tornar-se um problema - perdermos oportunidades, não lembrarmos de alguma realização importante / relevante, não nos conhecermos (e às nossas capacidades) corretamente.

E é exatamente isso que um Portfólio de Carreira permite construir.



Por que um Portfólio de Carreira importa?

Primeiramente, é necessário entender que um portfólio não substitui o currículo - ele o complementa!

O currículo não conta a sua história toda. Ele mostra uma parte dela, relevante para um momento específico.

Enquanto o currículo é a "chave para a porta", o portfólio é o que conta sua história depois que a porta se abre.

Ele não descreve apenas "o que você fez", mas quem você é como profissional, quais padrões guiam sua atuação, o que aprendeu, que forças desenvolveu e quais pontos está trabalhando para melhorar.

O currículo é o seu bilhete até a porta, o tapete de boas-vindas… É o seu retrato para o recrutador, onde você mostra a sua “melhor pose”.

O Portfólio de Carreira, por outro lado, é o que você tem por trás da porta… O seu “interior”, a sua história, tudo aquilo que faz de você quem você é.

Então, só preciso de um deles?

Não. Ter ambos permite que você esteja preparado/a (estar pronto/a para falar sobre você e de suas realizações), independentemente da situação.

Porque veja: nós nos conhecemos. Eu me conheço. Você se conhece.

Mas… se eu não penso sobre o que já fiz, se eu não reflito sobre isso, talvez eu não esteja pronta para falar sobre minhas experiências com confiança (essa é a palavra-chave).




Um Portfólio de Carreira é transformador porque permite:

  • Autoconhecimento profundo: você passa a enxergar sua trajetória de forma mais clara e honesta.
  • Consciência de padrões e pontos de crescimento: ao revisar projetos, percebe temas recorrentes, como você reage sob pressão, onde mais contribui, onde precisa de apoio.
  • Preparação estratégica para oportunidades: Entrevistas, conversas com liderança, processos de promoção, mentorias. Com um portfólio atualizado, você chega nessas situações não apenas preparado/a, mas dono/a de sua narrativa.
  • Fortalecimento da autoconfiança: Documentar sua evolução mostra por evidências, e não percepções, o quanto você cresceu.


Antes de explicar o que é um Portfólio de Carreira, quero compartilhar de onde isso surgiu...


Em 2012, ainda na IBM, conquistei minha certficação de Technical Specialist L1 / Experienced. Depois avancei para a L2 / Expert, e em 2014, cheguei a L3 / Thought Leader - que tem sua equivalente no The Open Group Distinguished Technical Specialist, que mantenho até hoje.

O que tem de diferente nesta certificação?

Ela não é uma prova ou um exame para testar conhecimento. É um documento que eu mesma escrevo, baseado em critérios claros e skills comprovados: projetos realizados, entregas feitas, responsabilidades assumidas - tudo aquilo que demonstra, na prática, que eu atuo no nível esperado para aquela senioridade. (Aliás, esse tema merece uma postagem só dele - aguardem!)

E foi justamente ao escrever essas experiências que comecei a me confrontar com a minha própria trajetória: o que fiz, como cresci, e como cheguei até aqui. Esse processo me ajudou profundamente a me enxergar como profissional, e a reconhecer minhas habilidades, capacidades e evolução ao longo dos anos.

Mais recentemente, eu li um artigo de April Rinne - HBR, 2021 - "Why you should build a 'Career Portfolio' (Not a 'Career Path')", em que ela defende que, no cenário atual de constante mudança, focar apenas em um “carreira linear” já não é suficiente. 

Em vez disso, ela propõe a construção de um Portfólio de Carreira: uma visão mais ampla e flexível que reúne todas as experiências, habilidades e identidades profissionais (inclusive as não tradicionais). Diferente do caminho único da carreira tradicional, o portfólio reflete a diversidade da trajetória de cada pessoa, incluindo trabalhos formais, iniciativas paralelas, projetos voluntários, habilidades pessoais e vivências que moldam quem somos e como contribuímos.

Criar esse portfólio significa reconhecer que já acumulamos elementos valiosos, conectá-los de forma intencional e usá-los para contar uma narrativa profissional mais completa. Isso traz benefícios como maior autonomia, resiliência diante de mudanças, capacidade de combinar competências para gerar soluções criativas e, sobretudo, uma identidade profissional que evolui junto com você. Dominar sua “narrativa de portfólio” ajuda a comunicar esse valor de forma clara em entrevistas, transições e oportunidades futuras, permitindo que você se posicione com mais confiança em um mercado repleto de incertezas.


Pessoalmente, eu não acho que é "um ou outro". Entendo que precisamos dos 2:
  • Um Career Path claro, para ter direção.
  • Um Career Portfolio, para ter consciência, intencionalidade e profundidade.


Então...

O que é, afinal, um Portfólio de Carreira?


É uma ferramenta dinâmica, reflexiva e estratégica que reúne 4 pilares:



1 - Funções e Projetos

O que você fez / What you did

Não é apenas uma lista de atividades. É o contexto: qual era o desafio? O que estava em Jogo? Qual foi seu papel real? 

Este pilar documenta sua experiência profissional e projetos chaves. Ele vai além de títulos, antes, destacando impacto, desafios enfrentados e lições aprendidas.

Perguntas a fazer:
- Qual foi sua principal função e responsabilidades?
- Que projetos você liderou ou contribuiu?
- Quais resultados você ajudou a alcançar?
- Que skills (conhecimentos) você usou ou desenvolveu?

Tem muitas formas de documentar isso. Eu pessoalmente gosto do método 5W2H (que expliquei um pouquinho neste post). Apesar de não ter usado, já ouvi sobre o Método STAR (Situation / Situação, Task / Tarefa, Action / Ação e Result / Resultado), para responder, de forma clara, estruturada e completa, perguntas comportamentais e de entrevista, focando em experiências).  Mas, independente do método, o importante é documentar!


2 - Pontos Fortes e Fracos

Quem você é / Who you are

Aqui entra a vulnerabilidade e honestidade.

Quais características apareceram nessas atividades e projetos? O que te ajudou? O que te atrapalhou?

Neste ponto, você tem a oportunidade de observar e fazer uma reflexão inicial nos seus skills / conhecimentos, comportamentos, e áreas para melhoria. O objetivo é promover um auto-conhecimento e identificar padrões de performance.

Perguntas a fazer:
- Quais são minhas principais forças técnicas e comportamentais?
- Em que situações eu me destaco naturalmente?
- Que tipo de feedback eu recebo mais frequentemente?
- Que áreas eu sinto que preciso desenvolver?

Uma ferramenta para usar neste pilar, para documentação, é a Matriz SWOT (Strenghts / Weaknesses / Opportunities / Threats), ou em português, Matriz FOFA (Forças / Oportunidades / Fraquezas / Ameaças).


3 - Ações de Crescimento

Como você cresce / How you grow

Quais passos você tomou ou ainda quer tomar para evoluir? Como transformou fraquezas em pontos fortes?

Este pilar mostra como você tem buscado desenvolvimento - e isso inclui cursos, certificações, mentoria, leituras, eventos e toda e qualquer ação de aprendizado intencional - esta é a palavra-chave: intencionalidade, com foco!

Perguntas a fazer:
- Que ações você tem tomado para crescer profissionalmente?
- Que cursos ou certificações você completou?
- Você participa / participou em mentorias, eventos, comunidades?
- Você aplicou / tem aplicado o que você aprendeu?

Uma pergunta extra (de provocação mesmo!): Quando você completa um treinamento ou obtem uma certificação... Como você posta no LinkedIn? - assumindo que você posta, é claro!

Apenas o "post padrão": "completei o treinamento XYZ", ou "obtive a certificação ABC"? Ou você investe um tempo para refletir no treinamento / certificação... O que te motivou a fazê-lo? O que você aprendeu de importante? Qual a relevância deste treinamento para você e sua carreira? E como você aplicou ou planeja aplicar o conhecimento adquirido? #PenseNisso


4 - Padrões e Reflexões

Por que isso importa / Why it matters

É a camada estratégica, que conecta todos os pilares, em que você reflete na sua caminhada, identifica padrões, valores, motivações, e define seus próximos passos.

Enquanto os outros pilares você pratica constantemente - ao terminar um projeto, ao finalizar um treinamento, ao adquirir um conhecimento, este pilar, você pode passar por ele "de tempos em tempos". 

A maioria dos/as profissionais só passam por este pilar no final do ano - geralmente motivados pela "avaliação de desempenho" que é feita nas empresas. Mas, fazer 1x por ano é muito tempo parado... Quanta coisa não aconteceu em 1 ano? Quantas oportunidades passaram? Quantos projetos e treinamentos concluídos e não refletidos, e nossa mente já esqueceu?

O ideal é passar por este pilar uma vez por trimestre (se não uma vez por mês!).

Fazer uma pausa, rever o que já foi documentado dos pilares anteriores, e se perguntar:
- Que temas ou padrões apareceram neste período?
- O que aprendi sobre mim mesmo/a?
- Que tipo de trabalho me anima (ou me desanima)?
- Quais são meus próximos objetivos? O que quero alcançar no próximo período?

Fazendo isso periodicamente além de ajudar no auto-conhecimento, planejamento de carreira e crescimento, certamente ajudará nas entregas e na preparação para a temida avaliação anual de performance/desempenho.


Como usar o Portfólio de Carreira no dia a dia

Ele se torna uma ferramenta extremamente poderosa quando aplicado em:

  • Entrevistas: trazendo histórias reais, não bullet points.

  • Avaliação de desempenho: mostrando evolução, contexto e impacto.

  • Mentorias e coaching: facilitando conversas mais profundas e objetivas.

  • Planejamento de carreira: identificando próximos passos com base em dados da sua própria trajetória.

O objetivo é simples: empoderamento através da autoria da própria história.

Você conhece sua trajetória, mas registrar e refletir sobre ela te dá voz. E a capacidade de apresentá-la com confiança.



Comece pequeno...


O maior erro é acreditar que é preciso reservar horas, semanas ou meses. Não é.

Comece pequeno, documentando um projeto. Escolha um marco recente da sua carreira e refleta:
  • O que foi feito?
  • Quais forças apareceram?
  • Quais desafios enfrentei?
  • Como reagi diante dos desafios?
  • O que aprendi sobre mim mesmo/a?
  • Que ações de crescimento fazem sentido a partir disso?
  • Que padrões aparecem quando comparo com outras experiências?
Pequenos registros se acumulam. E, com o tempo, se transformam em um mapa extremamento poderoso de sua jornada.

Para ajudar, criei um template para documentação de Portfolio de Carreira, e está disponível para download neste link. Fique à vontade para baixar este template, ou criar o seu próprio. O importante é documentar!


Por que tudo isso é tão importante?


Porque ninguém vai contar sua história por você. E por que suas conquistas, aprendizados e superações não falam sozinhos.

Um Portfólio de Carreira não é um documento. É um ato de autoria.

E você merece ser autor/autora da sua trajetória - com clareza, intenção e propósito!


Dica extra: se quiser ler mais sobre como apresentar suas realizações, de forma a tê-las reconhecidas de maneira mais acertivas, leia esta minha postagem: Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas! (Self-Advocacy).


E aí? Pronto/a para começar seu Portfólio de Carreira? Compartilhe aqui o que você achou, dificuldades, experiências e sugestões para expandir esse tema...  Vamos continuar a conversa!


#CareerPortfolio #CareerGrowth #WomenInTech #TDC #SelfDevelopment #Career #CareerDevelopment 

Saturday, April 12, 2025

Visualizando Hard Skills: Estratégicos e em Alta Demanda

Há alguns dias eu vi uma apresentação sobre skills, mais precisamente sobre "Hot Skills necessários e estratégicos".

Embora o tema seja extremamente interessante e relevante, a forma que os dados foram apresentados foi confusa.

Não tenho os dados originais da apresentação, mas tentei reproduzir com dados que pedi ao Copilot (IA Generativa da Microsoft) gerar.

Fiz esta pergunta ao Copilot:

Gostaria que você gerasse 2 listas:
- A Lista 1 deve ter Hard Skills Estratégicos no Mercado Atual.
- A Lista 2 deve ter Hard Skills Necessários / Demandados no Mercado Atual.

Cada lista deve ter aprox. 36 skills, sendo:
- Hard Skill / Tecnologia
- % demanda (ou seja, em 100 empresas, % que estão procurando estes skills - por ser porcentagem, a somatória deste campo precisa ser 100%).

O Copilot gerou duas listas, mas precisei refiná-las por meio de algumas interações, já que, inicialmente, ele tratou 'Cloud Computing' e 'Computação em Nuvem' como habilidades distintas.

Mas, no final, consegui minhas listas, de forma satisfatória, e com referências de sites reais, suportando a veracidade das informações.

Desta lista, criei este primeiro gráfico, similar ao que vi na apresentação que assisti:

Hard Skills / Tecnologias Estratégicas e em Demanda no Mercado Atual 
(fonte dos dados: Copilot, 10-Abr-2025 / imagem: Adriana Weingart com Excel)


Antes de entrar na "boa-e-velha discussão" Gráfico de Pizza vs não Gráfico de Pizza, vou listar alguns pontos que observei:

1 - Logo de cara, eu parei e fiquei tentando ler as letrinhas da legenda e tentando achar a cor equivalente no gráfico. 

  • O primeiro desafio foi: ler as letrinhas pequenas (sim: estou ciente do uso da hipérbole nesta expressão). 
  • O segundo desafio foi achar a cor relacionada da legenda no gráfico - e aqui tem um ponto negativo a mais: naquele tamanho de letrinha da legenda, o verde claro, verde médio, verde musgo, verde palmeiras (eca! #VaiCorinthians) e qualquer outro verde é só isso: verde.
  • Esse segundo desafio me incomodou por mais um ponto: comecei a assumir algumas coisas, como: assumi que o primeiro skill listado na legenda é o skill com maior "fatia". Mas... E se quem criou o gráfico mexeu nisso. Eu não deveria precisar fazer suposições para ler o gráfico.
2 - Passando a fase de tentar ler (print na tela, zoom in e voilà) e achar a equivalência (suposições), comecei a tentar a avaliar os skills listados, e me deparei com mais pontos de atenção:

  • Os skills estratégicos (futuros) aparecem antes dos skills em demanda (presente) - isso pode ser tanto pensado para ser assim (querendo dar ênfase no futuro), mas não seria mais interessante "garantir" o presente primeiro? E neste caso, os skills em demanda deveriam aparecer à esquerda (já que no Brasil lemos da esquerda para a direita).
  • Não há uma correlação de cores para os mesmos skills que aparecem em estratégicos e em demanda. O que seria interessante para avaliar os skills e sua importância ou relevância.
3 - Agora sim, entrando na discussão da pizza...
  • As fatias, enquanto bonitinhas, dificultam o entendimento dos dados. O quanto "Inteligência Artificial e Machine Learning" é listado como mais estratégico que "Cibersegurança"? As fatias pequenas representam quais dados e com qual relevância? Apesar do gráfico de pizza ser simples e intuitivo e muito útil para visualização da participação relativa de cada categoria no total, ela só funciona assim para poucas categorias. Quando há muitas categorias, e as porcentagens forem parecidas, o gráfico fica confuso e passa sensação de imprecisão ao tornar difícil identificar a diferença entre elas.
  • A projeção 3D do gráfico, apesar de ser visualmente impactante e muitas vezes passar uma sensação de sofisticação, o efeito 3D pode distorcer o tamanho das fatias - fazendo-as parecer maiores ou menores em algumas situações. Esse efeito também pode dificultar a comparação precisa entre os segmentos, diminuindo a legibilidade.
4 - Um ponto positivo do gráfico (pelo menos este que gerei) foi que ele "passou no teste" do Coblis - Color Blindness Simulator. Coloquei a imagem lá, e ainda conseguia perceber (com as dificuldades já listadas acima) cores diferentes.


Com estas considerações em mente, montei outros gráficos e o slide correspondente:

Hard Skills / Tecnologias Estratégicas e em Demanda no Mercado Atual 
(fonte dos dados: Copilot, 10-Abr-2025 / imagem: Adriana Weingart com Excel e PowerPoint)


Apesar deste novo "slide" ter mais texto, e ainda poder receber algumas melhorias, ele me parece mais informativo e claro, contando a história dos dados que o alimentaram.


E este ponto me fez começar a refletir em outras coisas, no tópico de Visualização de Dados e Criação de Apresentações:

  • Que história meu dado está contando / quer contar?
  • Que história o slide está dizendo para quem o visualiza?

 

Não é apenas sobre colocar os dados no Excel e criar um gráfico bonitinho, que passa uma sensação agradável impactante. É sobre a narrativa construída, a história que os dados e a apresentação contam, e o impacto que ela gera nas pessoas e nos negócios, no contexto em que está inserida.


Acho que ainda é válido mencionar que não é apenas sobre fazer o gráfico no Excel, copiar e colar no slide do PowerPoint e é isso.  É pensar nos dados, pensar na história, pensar na apresentação e como ela ficará - design, contexto, cores. É montar um quebra-cabeças, e no final, observar se o resultado conta a história do dado (como um todo, e cada pedaço).


O que você achou desta transformação? Há algum ponto que poderia ser acrescentado / tirado para melhorar a história na 2a imagem? Você tem alguma dica para apresentação e visualização de dados? Compartilhe aqui...


#DataViz #VisualizaçãoDeDados #DataAnalysis #Skills #HardSkills #Learning #Carreira #TechnicalCareer


Postagems relacionadas:

- Uma proposta de visualização...

- A mágica por trás da imagem

Monday, October 21, 2024

Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas!


Em setembro passado (há pouco mais de um mês), como mencionei neste post (E teve TDC São Paulo 2024! Trilha Data Science), participei do TDC São Paulo 2024. Além de co-coordenar a trilha de Data Science, também tive o prazer de compartilhar um pouquinho do que tenho estudado e aplicado na minha carreira na trilha Carreira e Mentoria.

Nesta edição, falei sobre Self-Advocacy: "Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas!". E agora, nesta postagem, vou compartilhar um pouquinho do que falei lá para quem não teve a oportunidade de participar.


Para começar, uma reflexão...


Você completou aquele super projeto e ...?

Você tirou várias certificações técnicas no ano, completou todos os requerimentos do trabalho, entregou várias inovações e ...?

Você se esforçou, virou noite, fez horas extras e ...?

... NADA?


Será que faltou algo?

SIM! Alguém falar por suas realizações - já que elas não falam por si mesmas.

Faltou Self-Advocacy!



Compartilhando experiências...


Como ganhei meu Sansão de Pelúcia...


Quando comecei a namorar, sempre passava em frente a uma loja e soltava indiretas sobre como gostava daquele coelhinho. Só que nunca dizia claramente: "Quero que você me dê o Sansão de presente".

Algumas (várias) indiretas depois, meu namorado me disse para ser clara nos meus pedidos.

Ganhei o Sansão, mas a lição vai além de presentes: se meu namorado precisou ouvir claramente, imagine meu gerente, meu mentor, meu sponsor.


Três Certificações de carreira em um ano...

Há alguns anos, tirei no mesmo ano 3 certificações de carreira. Uma delas foi esta do The Open Group: Distinguished Technical Specialist (The Open Certified Technical Specialist (Open CTS) Certification). Também cumpri as outras metas para desenvolvimento.

Mesmo assim, minha avaliação anual de performance foi apenas "achieved" (e não "exceeded", já que obtive certificações que não estavam planejadas e duas eram no nível mais alto possível).

Isso me fez entender a necessidade de comunicar efetivamente nossas conquistas.


Com estes exemplos, já podemos pensar nos impactos...



Quais são os impactos quando nossas realizações não são reconhecidas?


Falta de reconhecimento
- nossas contribuições podem passar desapercebidas se não nos destacarmos. Isso pode limitar nosso crescimento profissional e reconhecimento por parte de colegas e superiores.

Baixa visibilidade profissional - profissionais que se destacam em auto-promoção tendem a ter mais visibilidade. Sem isso, podemos acabar ficando em segundo plano, mesmo tendo um desempenho excelente.

Desvalorização do trabalho - sem um esforço ativo para promover o valor do que fazemos, outras pessoas podem assumir o crédito pelo nosso trabalho, ou nossa contribuição pode ser subestimada.

Avaliações imprecisas - quando nossas realizações não são devidamente reconhecidas, nossas avaliações de desempenho podem não refletira a realidade do nosso trabalho; e isso levar a uma discrepância entre o que realmente fizemos e o que foi registrado, prejudicando nosso histórico profissional e futuras oportunidades de crescimento.

Oportunidades perdidas - quando não falamos sobre nossas realizações, podemos ser menos considerados para promoções, aumentos de salário ou novos projetos pois as pessoas podem não estar cientes de nossas capacidades e sucessos.

Promoções tardias ou inexistentes - a falta de reconhecimento pode atrasar ou até impedir promoções. Se nossos superiores não estão cientes de nossos feitos e contribuições, podemos ser passados por colegas que são mais visíveis ou que promovem melhor suas realizações. Isso pode causar frustração e desmotivação.

Dificuldades em negociar - Se não estamos acostumados a destacar nossas realizações, pode ser difícil apresentar argumentos convincentes ao negociar uma promoção, um aumento salarial ou até mesmo novos desafios. A autoconfiança necessária para negociações bem-sucedidas muitas vezes se baseia em um histórico de realizações bem comunicadas e reconhecidas.


Quem nunca passou por uma (ou todas) essas situações?


Vender é uma arte


Arnold Schwarzenegger compartilhou em um vídeo (Sell, Sell, Sell! Arnold Schwarzenegger on The Art of Selling) que vender é uma arte, é a única maneira das pessoas saberem sobre o que fizemos:

Most of the actors in the seventies and eighties refused to sell their movies. They said: “This is not my job. I’m an artist. I don’t sell. I’m not a sales man out there”, and all this stuff. This was my strength, because I studied to be a salesman. And so I realized then the importance of selling. That no matter what you have, if you have a podcast, if you have movie, if you have a painting, if you have a car, a technology, a medicine, whatever it is, if people don’t now about it, you have nothing. The more people that know about your product or about your talent, the more you can go and be successful. So therefore, this idea of selling, publicizing, marketing, communicating, convincing, all of those kind of things is an art.

Foto from Internet (CinemaWeb)


Então a ideia aqui é vender, e promover e vender nosso produto: nós mesmos e nossas realizações!



Autopromoção


O que é:

  • Explicar nosso valor e representar nossos interesses para os outros.
  • Comunicar nossas contribuições e necessidades.
  • Falar por nós mesmos e o que é importante para nós.

O que NÃO é:

  • Rebaixarmos os outros ou deixar que os outros sejam silenciados.
  • Sermos excessivamente ou pouco confiante.
  • Sermos inautênticos.

Mas... alguém pode estar perguntando: "Se fizermos isso, serão que não seremos vistos de forma negativa ou sofrer retaliação?"


Isso é contar vantagem?


Dizzy Dean, um ícone do beisebol americano disse uma vez: "Não é se gabar se você fez isso".

No livro "Brag! The Art of Tooting Your Own Horn without Blowing It" (traduzido como "Diga o que você fez: A arte de se autopromover sem parecer chato"), Peggy Klaus, especialista em comunicação, ensina como promover nossas habilidades e conquistas de forma eficaz e sem parecer arrogante. O livro oferece um guia prático para comunicar nossas realizações de maneira convincente, abordando situações como entrevistas de emprego, avaliações de desempenho e promoções, ajudando os leitores a se destacarem sem ofender ou alienar colegas e superiores.


Então, não! Não é contar vantagem, e há formas de fazer isso. Mas primeiro, precisamos quebrar alguns mitos e mudar algumas formas de pensar...


Forma de Pensar


Foco na Prevenção vs Foco na Promoção


Temos uma tendência natural de pensar com foco na prevenção:
  • Aprendermos a evitar o risco.
  • Evitamos nos expor de forma a evitar demissão.
  • Crescemos ouvindo que não precisamos/devemos "nos vender"
  • Deixamos a timidez dominar nossos pensamentos
  • E deixamos a baixa auto-estima nos controlar
Enquanto deveríamos pensar com foco na promoção:
  • Buscar (e assumir) riscos controlados.
  • Focar nas metas e suas realizações.
  • Focar no sucesso e na criatividade.
  • Ser auto-confiante.
  • Acreditar em nós mesmos.

O foco na promoção não é algo que acontece naturalmente. Precisamos prestar atenção e orientar o cérebro e nossos pensamentos nessa direção. É exercício constante!



Mitos e vícios em nossa forma de pensar


Não podemos assumir...


... que os outros conhecem nossas ações e realizações da mesma forma que nós (Viés Egocêntrico).

... que vemos o mundo exatamente como ele é, ou que os outros veem o mundo da mesma forma que nós (Realismo Ingênuo).

E muito cuidado com...


... o preço que pagamos quando não acreditamos em nós mesmos, em nossas capacidades, habilidades, talentos e dons (Imposto da Confiança).

... a tendência de atribuirmos nossos êxitos à sorte (aleatoriedade), ao acaso ou a um - errôneo - fato de termos enganado os outros, e não ao nosso próprio talento (Síndrome do Impostor).

... a tendência de evitar ou não receber crédito pelo nosso sucesso, mas aceitar a culpa pelos nossos fracassos (Efeito da "Modéstia Feminina" - que tem esse nome por ser mais frequentemente discutido em relação às mulheres, mas que também afeta os homens).



Mais estória...


"Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade, de fato, um sítio que lhe dava muito trabalho e despesa. Reclamava que era um homem sem sorte, pois as suas propriedades davam-lhe muitas dores de cabeça e não valia a pena conservá-las.

Pediu então ao amigo poeta para redigir o anúncio de venda do seu sítio, pois acreditava que, se ele descrevesse a sua propriedade com palavras bonitas, seria muito fácil vendê-la.

E assim, Olavo Bilac que conhecia muito bem o sítio do amigo, redigiu o seguinte texto:

Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros, ao amanhecer, no extenso arvoredo. É cortada por cristalinas e refrescantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda.

Meses depois, o poeta encontrou o seu amigo e perguntou-lhe se tinha vendido a propriedade.

- Nem pensei mais nisso - respondeu ele. Quando li o anúncio que você escreveu, percebi a maravilha que eu possuia."


Texto extraído do site Pensador, onde há a nota: "Não se sabe a autoria do texto e se o episódio com o jornalista e poeta Olavo Bilac de fato aconteceu. O texto começou a circular na internat por vota de 2008".


Esse texto nos faz pensar sobre conhecer o que temos, do nosso produto: nós mesmos e nossas realizações!



Auto-conhecimento


Precisamos saber e conhecer nosso próprio valor antes de poder explicá-lo para os outros.


Conheça seu valor

É fundamental entender e reconhecer suas habilidades e realizações.

Faça uma autoavaliação honesta das suas competências, conquistas e pontos fortes. Faça uma lista de seus sucessos, certificações e contribuições significativas. Isso ajudará a formar uma base sólida para comunicar seu valor aos outros.

Ferramentas auxiliares: Portfólio de Carreira, Matrix SWOT (FOFA).


Descreva suas contribuições (e seja preciso/a)

Ser claro/a e específico/a sobre suas realizações é crucial.

Em vez de dizer "Contribui para o projeto X", detalhadamente exatamente o que fez: "Liderei a equipe na entrega do projeto X, que resultou em um aumento de 15% na eficiência do processo". Use dados e exemplos concretos para mostrar o impacto do seu trabalho.

Ferramentas auxiliares: 5W2H (veja aqui um posto sobre a Metodologia 5W2H e como usuá-la para documentar suas realizações).


Seja confiante (na medida certa)

Confiança é atraente e transmite segurança. No entanto, é importante equilibrar a confiança com humildade. Reconheça suas conquistas sem parecer arrogante. Demonstre que você acredita nas suas capacidades, mas também está aberto a aprender e crescer.


Saiba o valor do seu trabalho (compare, faça pesquisa no mercado)

Entenda como o seu trabalho é valorizado no mercado. Pesquise sobre salários, benefícios e expectativas para sua posição e indústria. Isso não só ajuda a negociar melhores condições, mas também reforça seu entendimento do seu valor profissional.


Prepare-se!

Conheça todos os detalhes do seu trabalho: números, resultados e impactos. Esteja ciente do que a sua audiência valoriza e adapte sua comunicação para refletir isso. Tenha objetivos claros e realistas sobre como, quando e onde falar sobre suas realizações.

A área de café da empresa pode não ser o melhor lugar para apresentar os resultados daquele super projeto que você completou. Um email pode ser mais que o suficiente para compartilhar uma nova certificação, desde que devidamente detalhado com as informações importantes.

A preparação é a chave para uma apresentação confiante e eficaz.


Palavra chave: PLANEJAMENTO!


Planejar é essencial para saber quando e como promover suas realizações. Isso inclui desde a organização das suas ideias até a estratégia de comunicação.

Tenha um plano de ação para documentar suas conquistas e depois para compartilhá-las em momentos estratégicos, como revisões de desempenho, reuniões de equipe ou redes sociais profissionais.


Algo importante:


Conte com a sorte...


... mas seja agente ativo dela


"Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade"

- Séneca (filósofo romano) 



E finalmente...


Não perca o foco


Comemore cada vitória e mantenha lista das suas realizações!

Pense nisso...

... você tirou uma certificação e compartilhou no LinkedIn.

Como você fez isso?

Apenas clicou na mensagem automática sugerida pela plataforma, ou escreveu um texto explicando a importância da certificação, o esforço investido, e o que espera dela?

... você está completando seu relatório de realizações para sua revisão anual de performance com seu gerente.

Como você descreve o que fez?

Apenas lista as atividades que fez, sem muitos detalhes, ou detalha cada atividade, usando 5W2H e/ou storytelling?

... você está pegando um café na empresa, e encontra o/a CIO do seu lado. 

O que você faz / fala?

Apenas um "Oi, tudo bem?", ou se apresenta, e faz seu "elevator pitch" de forma clara para poder iniciar um network com ele/a?


Dê o devido valor ao que você faz! 
E sucesso!