Thursday, October 15, 2026

Como Palestrar: do sonho ao palco, do palco ao impacto

Na última 6a feira, 9 de outubro, participei de uma Mentoria no TDC Community com Bruno Souza e Edson Yanaga no TDC Community, sob a liderança do Andre Noel como Community Manager do TDC Community.

O tema? Construa Autoridade Palestrando.

Não sou novata nesse mundo, mas ainda tenho muito a aprender. Por isso, sempre que posos, busco oportunidades como essa para ampliar minha perspectiva, desenvolver minhas habilidades e melhorar.

E o Bruno e o Edson têm muito a ensinar, afinal, acumulam uma longa trajetória de palestras no TDC (The Developer's Conference).

Algumas ideias da mentoria que ficaram comigo:

  • Palestrar é sobre o público. O foco deve estar em como ajudar as pessoas a alcançar seus objetivos.
  • Slides são apoio, não a história. Uma frase forte pode marcar muito mais do que uma apresentação inteira.
  • O que vemos é a aprovação, não as rejeições. Por trás de uma palestrante experiente, pode haver (e provavelmente há!) muitas propostas que não foram selecionadas.
  • Submeter propostas faz parte do processo. Persistência e experimentação são importantes para encontrar oportunidades. Rejeições são parte do processo.
  • Palestrar também é uma estratégia de carreira. Seu valor não se resume a uma remuneração direta (que muitas vezes, se não for na maioria das vezes, não existe).
  • A palestra não começa nem termina no palco. Há muito a fazer antes e depois para ampliar oa alcance do conteúdo. 
  • Publicar sem esperar perfeição. Essa foi para mim?! ;)

Também ficou a importância de fazer uma avaliação logo após a apresentação: identificar o que funcionou, reconhecer os deslizes, registrar como nos sentimos e buscar feedback com pergutnas específicas.

Outra ideia que merece destaque é a de reapresentar uma palestra em diferentes eventos. Cada oportunidade permite testar, aprender e aprimorar o conteúdo antes de levá-lo a públicos ou eventos maiores.

Ao feletir sobre tudo isso, lembrei de uma das minhas primeiras apresentações (se não A primeira), realizada em 2018, no Women IT, na IBM. Na ocasião, fui convidada para falar sobre como escrever artigos técnicos (não, não artigos acadêmicos!)

Recentemente compartilhei essa experiência no post Artigos Técnicos: um mapa mental e uma lição sobre oportunidades.

E foi justamente essa lembrança que me levou a escrever este artigo: não para apresentar uma fórmula definitiva, mas para organizar ideias e compartilhar um recurso visual que possa ajudar quem deseja começar a palestrar, e também quem já tem experiência, mas continua buscando, como eu, maneiras de evoluir. 

Construi todo o conteúdo a partir de um mapa mental, abrindo cada ramo à medida que avançava na apresentação. O mapa me ajudava a manter a sequência sem funcionar como uma muleta: era um apoio visual, não um roteiro que precisava ser seguido mecanimcamente.

E havia uma característica de que gosto até hoje: ao final, eu tinha um únicio slide que sintetizava toda a apresentação. Um material que os participantes poderiam consultar mesmo depois do evento.

Inspirada por essa experiência e pela mentoria, resolvi organizar minhas reflexões em um mapa mental sobre o ciclo completo de uma palestra.


Do sonho ao palco. Do palco ao impacto.

Como Palestrar

Este mapa mental não é um model ofechado, nem uma receita que precisa ser seguida à risca. As ramificações são coleções de perguntas, possibilidades e práticas que reuni a partir de experiências, observações e treinamentos (e um pouquinho de IA).

A proposta é ajudar a organizar o pensamento e identificar aspectos que merecem atenção ao longo da jornada de quem deseja palestrar.

O mapa está organizado em oito ramos principais, que vão desde a motivação inicial até o aprendizado e as oportunidades que surgem depois da apresentação.

Clique no Mapa Mental para vê-lo maior.


Nesta abordagem, temos seguintes tóopicos:

1 - Por que Palestrar? → Qual é meu objetivo, minha motivação para palestrar? Antes de escolher um evento, submeter um CFP (Call for Paper) ou preparar uma apresentação é importante entender o que pretendemos alcançar.

2 - Sobre o que Palestrar? → Que conhecimento ou experiência quero compartilhar?

3 - Para quem Palestrar? → Quem é o público e do que ele precisa?

4 - Onde Palestrar? → Onde estão as oportunidades?

5 - Como submeter? → Como transformar uma ideia em uma proposta aprovada?

6 - Como preparar? → O que preciso fazer para estar pronta para entregar uma boa palestra? - este ramo tem subdivisões:

  • Como preparar a palestra?
  • Como me preparar?

7 - Como palestrar? → Como entregar a apresentação e conectar-se com o público?

8 - Além da Palestra → O que fazer antes da palestra e depois que ela termina para ampliar seu impacto e aproveitar a experiência?

  • Como publicar e amplificar?
  • O que mais vem depois?


Cada ramo tem muitas possibilidades. A seguir, compartilho um pouco do que organizei em cada um deles.


1 - Por que Palestrar

Este é o começo de tudo, o motivador. O tópico que responde à pergunta: Qual é o meu objetivo, meu propósito em palestrar?

Uma boa provocação para refletir é:

Palestrar para demonstrar o que sei ou para ajudar alguém a aprender, se desenvolver?

Podemos ter objetivos diferentes, que nem sempre são excludentes

  • Objetivos Pessoais:
    • Superar a timidez.
    • Desenvolver oratória.
    • Aprender a comunicar ideias.
    • Compartilhar experiências.
    • Sair da zona de conforto.
  • Objetivos Profissionais:
    • Construir autoridade técnica.
    • Desenvolver marca pessoal.
    • Ampliar a visibilidade.
    • Fortalecer a reputação.
    • Criar oportunidades de carreira.
    • Desenvolver presença no mercado nacional e internacional.
  • Objetivos para a comunidade:
    • Compartilhar conhecimento.
    • Ajudar outros profissionais.
    • Inspirar pessoas.
    • Contribuir para a evolução de uma área.
    • Dar visibilidade a problemas e soluções.
  • Objetivos estratégicos:
    • Alinhar carreira, empresa, evento e público.
    • Construir relacionamentos.
    • Criar oportunidades de colaboração.
    • Desenvolver um legado profissional.

Estes são apenas alguns exemplos para nos ajudar a refletir sobre nossos próprios objetivos. AFinal, o que me motiva a palestrar?

Isso é importante porque, além de estabelecer a base para todas as etapas seguintes, nosso propósito servirá como referência para a reflexão e a avaliação pessoal ao final do processo.


2 - Sobre o que Palestrar?

Este ramo do mapa mental dever esponder à pergunta: Que conhecimento ou experiência quero / vou compartilhar?

Muitos se perguntam: o que tenho para compartilhar? Será que meu conhecimento ou minha experiência são relevantes? Será que o tema é de interesse? Será que o público já não sabe tudo isso?

Admito que essas são perguntas que me faço muitas vezes. 

Para escrever este texto mesmo, acabei me fazendo essas perguntas.

Mas, pensando na mentoria, percebi algo: enquanto muitos profissionais têm mais experiência e sabem mais que eu, há também uma nova geração chegando que ainda não conhece tudo aquilo que os mais experientes já aprenderam.

E daí, vêm outras dúvidas: será que sei o suficiente? Será que já não escreveram ou falaram sobre isso? Será que não existem pessoas mais credenciadas, com mais autoridade para falar sobre o assunto?

Neste ponto, isso já está parecendo desenho animado, com o anjinho e o diabinho falando no nosso ouvido.

É um bom momento para quebrar conscientemente esse ciclo de dúvidas, inseguranças e síndrome do impostor.

Algo que procuro entender é que tudo isso pode ser verdade. Pode haver pessoas que saibam mais, que tenham mais experiência ou que já tenham abordado aquele tema. 

Mas também é verdade que as formas de comparitlhar e absorver conhecimento são diferentes. Minha maneira de comunicar pode ser exatamente o que alguém precisa para entender determinado assunto - mesmo que não seja uma explicação profundamente técnica, se esse não for o objetivo. 

Não precisamos necessariamente ser a maior autoridade do mundo em um tema para contribuir com a aprendizagem de outras pessoas.

Tendo isso em mente, sobre o que podemos palestrar?

Algumas possibilidades:

  • Experiência profissional.
  • Problema Resolvido.
  • Erro ou falha e as lições aprendidas
  • Projeto realizado.
  • Pesquisa ou estudo.
  • Experimento.
  • Tecnologia emergente.
  • Dúvida recorrente.
  • Pergunta de um colega.
  • Conversa informal.
  • Tendência ou controvérsia.
  • Trade-offs e decisões técnicas.
  • Abordagens e metodologias.
  • Reflexões sobre uma experiência ou um tema.

E como escolher entre tantas possibilidades? 

Podemos considerar alguns critérios:

  • Conhecimento e experiência sobre o assunto.
  • Interesse pessoal.
  • Relevância para o evento e o público.
  • Atualidade.
  • Originalidade do enfoque.
  • Evidências e exemplos disponíveis
  • Potencial de aplicação prática.
  • Capacidade de aprofundamento.

Estas são apenas algumas ideias e alugns critérios. No final, o céu é o limite - ou será apenas nossa mente que nos limita?

Uma última reflexão neste tópico: não precisamos esperar até ter uma resposta definitiva, um projeto extraordinário ou uma pesquisa inédita para compartilhar conhecimento. Muitas vezes, uma experiência bem explicada, com seus desafios e aprendizados, já pode fazer diferença para alguém.


3 - Para quem palestrar?

Neste ponto, a caminhada já começa a tomar uma forma mais sólida. Precisamos responder à pergunta: Quem é o público e do que ele precisa?

Posso ter várias boas ideias. Mas, se elas não responderem às necessidades do público, serão apenas mais ideias em uma pilha que não para de crescer.

Precisamos conhecer e entender o público - seja o público que queremos atingir, seja o público do evento em que faremos a apresentação. 

O que considerar?

  • Contexto: em que ambiente essas pessoas atuam?
  • Experiência: qual é o nível de experiência profissional?
  • Conhecimento: o que já sabem sobre o assunto?
  • Interesse: por que participariam dessa palestra?
  • Diversidade: que diferentes perspectivas, experiências e necessidades podem estar presentes?

Entender o perfil do público ajuda a identificar suas necessidades e expectativas. Por exemplo, as pessoas podem querer:

  • Resolver um problema.
  • Aprender um conceito ou umaferramenta.
  • Conhecer uma tecnologia.
  • Tomar uma decisão.
  • Melhorar um processo.
  • Conhecer experiências reais.
  • Encontrar alternativas.
  • Refletir sobre uma situação.
  • Trocar conhecimento com outros profissionais da área

E como podemos conhecer o público? 

Por meio de pesquisa e observação, antes e duratne a palestra:

  • Descrição do evento, trilhas e sessões.
  • Pefil dos participantes, quando disponível.
  • Conversa com organizadores e coordenadores.
  • Perguntas durante a palestra.
  • Observação das reações.
  • Feedback de edições ou eventos anteriores.

Não há fórmula mágica, ou receita pronta. O importante é que o palestrante se prepare e consiga ter um entendimento mínimo do público.

Algumas perguntas podem ajudar:

  • Quem são essas pessoas?
  • O que elas já sabem?
  • Qual problema enfrentam?
  • O que esperam aprender?
  • O que devem conseguir fazer depois?
  • O que pode dificultar a compreensão?
A última pergunta é especificamente importante. Às vezes, não basta conhecer o que o público sabe: precisamos identificar o que pode impedir que ele compreenda a mensagem.

Isso influencia a escolha dos exemplos, o vocabulário, a profundidade técnica, a estrutura narrativa e até o tempo dedicado a cada tópico.

Afinal, uma mesma ideia pode precisar de apresentações diferentes dependendo de quem está ouvindo.


04 - Onde Palestrar

Chegamos a uma pergunta bastante prática: Onde estão as oportunidades para palestrar?

No primeiro tópico, definimos o propósito. Agora, precisamos encontrar oportunidades que façam sentido para nossos objetivos.

Há muitas possibilidades de palestrar - formal ou informalmente, em ambientes profissionais, acadêmicos ou comunitários.

  • Comunidades e eventos:
    • Meetups.
    • Grupos de usuários.
    • Comunidades técnicas.
    • Conferências e congressos.
    • Eventos regionais.
    • Hackathons.
    • Eventos de associações profissionais.
  • Ambiente profissional:
    • Eventos corporativos.
    • Programas internos de treinamento.
    • Comunidades de prática.
    • Grupos de arquitetura.
    • Fóruns técnicos.
    • Eventos de parceiros.
  • Academia:
    • Universidades / Faculdades / Escolas Técnicas.
    • Semanas acadêmicas.
    • Grupos de pesquisa.
    • Seminários.
    • Aulas especiais.
  • Canais Digitais:
    • Lives.
    • Webinars.
    • Podcasts.
    • Canais do YouTube.
    • Eventos virtuais.
    • Comunidades online.

Em cada uma dessas possibilidades, podemos encontrar diferentes formatos: presencial, remoto ou híbrido. Podemos ser convidados ou selecionado por CFP.

Há muitas oportunidades, e nem todas exigem começar por uma grande conferência.

Mas, Onde encontrar Call for Papers (CFP) abertos?

No Brasil, a Pachi Parra, em conjunto com Keven S Lopes, organiza e mantém o Agenda Tech Brasil, um repositório e calendário de eventos ao longo do ano.

Pensando em eventos Internacionais, podemos pesquisar em:

confs.tech → conferências em desenvolvimento de software.

conventions.io → conferências relacionadas a áreas como AI, DevOps, Cloud e Segurança.

CFP Directory → diretórios de conferências para trabalhos e apresentações, incluindo eventos de cybersegurança.

Há também as conferências acadêmicas, que podem ser encontradas em recursos como:

Uma pesquisa no Google também pode trazer muitas possibilidades, especialmente quando combinamos o tema de interesse com termos como Call for Papers, CFP, speaker submissions ou conferences.

Vale observar que cada diretório tem seu próprio escopo e que as chamadas, os prazos e os requisitos mudam. Por isso, sempre consulte a página oficial do evento antes de preparar uma proposta.

O importante é começar a procurar, acompanhar as oportunidades e identificar quais delas fazem sentido para seu objetivo, seu tema e seu momento profissional.


05 -  Como submeter?

Depois de entender o seu propósito em palestrar, definir sobre que e para quem queremos falar e identificar onde estão as oportunidades, vem a próxima pergunta: Como transformar uma ideia em uma proposta aprovada?

A primeira coisa a fazer é ler o Call for Paper. Cada evento e organização tem um CFP específico, com regras e requisitos específicos. Então, comece por aí.

Em geral, os CFP solicitam informações como:

  • Título.
  • Resumo.
  • Descrição.
  • Probelma abordado.
  • Objetivos.
  • Mensagem à coordenação.
  • Biografia do palestrante.

Outros items, como referências, justificativa para a escolha do tema e detalhes sobre a palestra, também podem ser solicitados. Alguns eventos fazem pergutnas bastante específicas, enquanto outros deixam mais liberdade para descrever a proposta.

Por isso, não basta reutilizar o mesmo texto em todos os lugares sem verificar os requisitos.

O que considerar na proposta? Alguns pontos merecem atenção:

  • Clareza no texto.
  • Originalidade na proposta.
  • Relevância do tema para o evento, a comunidade e o público.
  • Coerência entre título e resumo.
  • Benefícios para o público.
  • Ortografia e gramática.
  • Preenchimento de todas as informações obrigatórias.

Gosto de pensar que um pouco de storytelling também ajuda: explicar como o tema surgiu, por que ele importa e por que sou a pessoa certa para falar dele, neste momento e desta forma.

Referências, como artigos, livros e outras fontes relevantes, também podem contribuir para demonstrar a fundamentação do conteúdo, quando fizerem sentido para o formato da proposta.

Um checklist antes de submeter - antes de enviar a proposta, vale perguntar:

  1. Está claro qual problema esta palestra aborda?
  2. Está claro por que esse problema importa?
  3. O resumo explica o que será apresentado?
  4. Está claro o que o público aprenderá / levará desta palestra?
  5. O tema é adequado à trilha?
  6. A proposta apresenta um enfoque próprio?
  7. Minha experiência sustenta o conteúdo proposto?
  8. Consigo entregar o que prometi no tempo disponível?

Se alguma resposta não estiver clara, talvez seja o momento de revisar a proposta.

Outros dois pontos importantes neste tópico de "como submeter" palestras:

Gerenciar submissões → se você decidir submeter vários CFP, pode ser importante organizar as candidaturas para não perder informações, datas e ações importantes. 

Algumas ações relevantes:

    • Registrar cada submissão.
    • Acompanhar status.
    • Observar os prazos.
    • Responder a solicitações da equipe organizadora.
    • Aceitar convite e entrar nos grupos organizados para palestrantes, quando houver.
    • Registrar feedback.
    • Reutilizar aprendizados em futuras propostas.
Uma planilha simples já pode ajudar bastante. O importante é ter uma visão clara do que foi submetido, para qual evento, em que data e qual é o próximo passo.

Quando a proposta não é aceita → muitos profissionais se frustram quando recebem "não" para suas propsotas em CFP. Isso é mais normal que se imagina: tanto receber o não, como se frustrar. 

Muitos palestrantes experientes acumulam propostas não selecionadas. A persistência faz parte do processo. 

Algumas considerações para trabalhar o "não":

    • Não interpretar o "não" como avaliação de competência. Muitas vezes o que acontece é que há propostas mais aderentes ao que a trilha procura, mas isso não significa necessariamente que sejam melhores.
    • Verificar se o tema estava alinhado ao evento.
    • Revisar o resumo e o enfoque.
    • Buscar feedback, quando disponível.
    • Submeter a outros eventos.
    • Registrar o resultado.
    • Continuar praticando.

Uma proposta não selecionada pode precisar de ajustes, pode não ter encontrado o evento certo ou pode simplesmente ter concorrido com muitas outras propostas para poucas vagas.

O importante é aprender com o processo, sem transformar cada rejeição em uma avaliação pessoal.


06 - Como preparar?

Preparar o quê? A palestra e você mesmo/a, como palestrante. 

Nesta parte, precisamos pensar no que fazer para estarmos prontos/as para entregar uma boa apresentação.

Vou dividir este ramo em duas partes: preparar a palestra e preparar-se para a palestra.


A - Como preparar a palestra?

Aqui, precisamos responder à pergunta: Como estruturar conteúdo, narrativa e recursos?

Aqui temos algumas etapas e ações:

1 - Definir a mensagem - uma boa pergunta para se ter em mente neste momento é: Se o público lembrar de apenas uma coisa, o que deveria ser? → Esta é a mensagem central! 

Alguns pontos a considerar:

  • Objetivo.
  • Problema central.
  • Ideia que deve permanecer.
  • Limites do conteúdo.
  • Evidências que sustentam a mensagem.
Ter clareza sobre a mensagem central ajuda a tomar decisões nas etapas seguintes. Quando surgir uma dúvida sobre incluir ou não determinado conteúdo, podemos avaliar se ele contribui para essa mensagem.

2. Construir a narrativa - não vou afirmar que existe uma fórmula mágica e fechada para construir uma narrativa. Mas há alguns elementos que podemos considerar, conforme o tema e o público:

  • Abertura.
  • Contextualização.
  • Problema ou provocação.
  • Desenvolvimento.
  • Exemplos e evidências.
  • Conclusões.
  • Call to Action.

Alguns palestrantes seguem estruturas como:

  • Problema → Solução → Resultado
  • Contexto → Desafio → Decisão → Aprendizado
  • Pergunta → Investigação → Descoberta
  • Antes → Durante → Depois
  • Conceito → Exemplo → Aplicação
  • História → Reflexão → Ação

... mas isso não é regra, nem estruturas fixas. 

Entendo que cada cenário, cada mensagem, cada palestrante - e o mais importante, cada público, pode necessitar de uma estrutura diferente.

O importante é que exista uma sequência que ajude o público a acompanhar o raciocínio e compreender a mensagem.

3 - Selecionar o conteúdo: esta é uma etapa muito importante - eu mesma preciso passar por ela com cuidado, algumas vezes). 

Não queira colocar tudo o que sabe, nem tudo o que existe sobre o assunto na apresentação. Muitas vezes, a palestra será usada para apresentar um tema, instigar a curiosidade dos participantes e oferecer caminhos para que continuem seus estudos e pesquisas.

Foque na mensagem que quer transmitir e corte o que não contribui para ela. 

Isso não significa simplificar demais ou retirar a profundidade técnica. Significa escolher o que é relevante para aquele público, naquele contexto e no tempo disponível.

4 - Evitar excesso: alguns pontos de atenção:

  • Conteúdo excessivo.
  • Jargão desnecessário ou terminologia muito específica para o público.
  • Detalhes sem propósito.
  • Digressões.
  • Repetições.
  • Promessas que não serão cumpridas.
  • Conteúdo incompatível com o nível do público.
É tentandor incluir tudo aquilo que pesquisamos e aprendemos durante uma apresentação. Mas uma boa palestra não precisa demonstrar tudo o que sabemos. Precisa entregar aquilo a que se propõe.

5. Criar os slides: só depois de definir a mensagem, a narrativa e o conteúdo é que passamos a criar os slides.

E aqui vale reforçar uam das ideias da mentoria: os slides devem apoiar a narrativa e não substitui-la!  

Não vou entrar em detalhes de como criar os slides - até porque já temos algumas IAs que ajudam a criar apresentações, como Gamma.App, Canva, e até o Power Point, que devemos sempre revisar e ajustar.

Mas vou listar alguns pontos de atenção:

  • Slides como apoio, não como roteiro completo.
  • Hierarquia visual.
  • Legibilidade.
  • Contraste.
  • Diagramas / Imagens / Demonstrações.
  • Fontes e referências.
  • QR Codes e links.
  • Consistência visual.
Uma apresentação visualmente bonita pode ajudar, mas não substitui uma mensagem bem estruturada. E, mesmo usando ferramentas de IA, a responsabilidade pela qualidade, pela coerência e pela precisão do conteúdo continua sendo nossa.


B - Como se preparar para a palestra?

Agora sim, estamos falando sobre você, palestrante. Como se preparar e estar pronto/a para o evento?

1 - Domine o conteúdo.

  1. Conheça os argumentos.
  2. Estude em detalhes e compreenda as evidências, exemplos e demonstrações na apresentação.
  3. Antecipe dúvidas.
  4. Reconheça limitações.
  5. Prepare exemplos adicionais e slides de backup.
  6. Saiba o que pode ser cortado.
Dominar o conteúdo não significa decorar cada palavra. Significa compreender o que está apresentando e conseguir explicar a mensagem de diferentes formas, se necessário.

2 - Ensaie.

  • Em voz alta.
  • Cronometre a apresentação
  • Repita a abertura várias vezes ← É neste momento que você ganha (ou perde) a atenção do público.
  • Repita o encerramento. ← Muitas vezes, a mensagem final é tudo o que será lembrado da sua palestra.
  • Treine transições entre tópicos e slides.
  • Pratique com outras pessoas.
  • Grave-se e assista depois, com olhos crítico. 
  • Identifique pontos a melhorar, aplique os ajustes e repita.
Sim, repetir. Não basta assistir à gravação, identificar problemas e guardar as observaçòes para a próxima apresentação. É preciso voltar, praticar e verificar se houve evolução.

3 - Prepare-se emocionalmente.

Desenvolva confiança, mas aceite que é normal ficar nervoso/a e que erros podem acontecer. 

Busque se preparar para diferentes cenários, mas esteja também preparado/a para imprevistos. 

Dominar a mensagem e o conteúdo da apresentação te deixa mas flexível para lidar com problemas técnicos ou mudanças de última hora. E seu emocional agradece!

4 - Prepare a logística. 

  • Saiba onde será o local do evento e a sala da palestra. 
  • Confirme o horário da sua apresentação. 
  • Chegue com antecedência. 
  • Verifique e teste equipamentos: microfone, apresentação, passador de slides, cronômetro. 
  • Tenha um backup da apresentação na nuvem e/ou em um pen-drive.
São cuidados simples, mas que podem evitar muito estresse desnecessário.

5 - Prepare-se profissionalmente. 

Este ponto passa muitas vezes desapercebido, mas também é importante.

  • Confirme as autorizações necessárias da empresa para participar do evento e palestra,r quando aplicável. 
  • Verifique se há restrições para falar sobre o tema.
  • Respeite acordos de confidencialidade.
  • Omita nomes de clientes e informações sensíveis, quando necessário.
  • Verifique se pode compartilhar imagens, exemplos, dados e materiais utilizados na apresentação.
Uma boa palestra não pode comprometer informações confidenciais ou expor dados que não deveriam ser divulgados.

Estar preparado profissionalmente também significa saber o que podemos compartilhar e quais são os limites do conteúdo.


07 - Como palestrar?

Finalmente, chegamos ao momento tão esperado: a palestra! 

Agora, precisamos focar em entregar a apresentação e conectar-nos com o público.

Boa parte do trabalho já aconteceu nas etapas anteriores. Agora é hora de colocar o planejamento em prática - sem esquecer que uma apresentação também exige atenção ao que acontece no momento.

Alguns pontos pondem ajudar:

1 - Comunique-se com clareza.

Atenção a:

  • Articulação verbal.
  • Ritmo.
  • Entonação.
  • Pausas.
  • Clareza.
  • Vocabulário.
  • Linguagem corporal.
  • Contato visual.
  • Expressividade.
Não basta conhecer o assunto. Precisamos conseguir comunicá-lo de uma forma que o público compreenda.

Isso não significa falar como outra pessoa ou adotar um estilo que não combina com você. Significa encontrar maneiras de transmitir sua mensagem com clareza e naturalidade.

2 - Conecte-se com o público.

  • Observe as reações.
  • Faça perguntas, busque interações - e ouça as respostas!
  • Estimule a participação.
  • Utilize exemplos próximos da realidade do público.
  • Adapte a explicação, se necessário.
  • Respeite o tempo de processamento da informação.
A palestra não precisa ser um monólogo do início ao fim. Mesmo quando o formato não permite uma interação extensa, podemos observar as reações e ajustar a maneira de explicar.

E lembre-se: interação não é apenas fazer perguntas. É também escutar, reconhecer dúvidas e criar espaço para que as pessoas companhem o raciocínio.

3 - Administre o tempo.

  • Controle o ritmo.
  • Respeite a duração prevista.
  • Priorize as mensagens essenciais.
  • Reduza o conteúdo quando necessário.
  • Reserve tempo para perguntas, se o formato permitir.
  • Saiba encerrar (lembre-se do que você praticou) e abra espaço para continuidade.
Nem sempre tudo sairá exatamente como planejado. Pode haver uma pergunta inesperada, um problema técnico ou uma interação que mereça mais tempo.

É nesse momento que conhecer bem o conteúdo e saber o que pode ser cortado faz diferença.

O objetivo não é simplismente terminar todos os slides. É entregar a mensagem que prometemos.


E agora acabou, certo? 

Não!


08 - Além da palestra

Acabou a palestra e pronto? Não! 

Há várias ações e oportunidades além do momento que subimos no palco.

O que podemos fazer antes, duratne e depois da apresentação para ampliar seu impacto e aproveitar a experiência?


A - Como publicar e amplificar?

Como estender o alcance do conteúdo?

A palestra pode alcançar muito mais pessoas do que aquelas que estavam presentes no evento. Para isso, precisamos pensar em como divulgar, registrar e reaproveitar o que produzimos.

  • Antes do evento:
    • Divulgue sua participação. Se o evento fizer postagens nas redes sociais ou fornecer materiais de divulgação, compartilhe.
    • Apresente seu tema e estimule a discussão nas redes sociais.
    • Compartilhe a programação do evento.
    • Convide o público.
    • Crie expectativa, gere curiosidade e incentive as pessoas a participar e continuar a discussão ao vivo.
  • Durante o evento:
    • Compartilhe aprendizados.
    • Publique fotos e marque as pessoas que estão com você e o perfil do evento.
    • Interaja nas redes sociais.
    • Registre perguntas interessantes.
    • Compartilhe frases ou ideias-chave.
  • Depois do evento:
    • Publique agradecimentos.
    • Compartilhe slides ou um slide com síntese da palestra.
    • Publique o vídeo, quando disponível;
    • Escreva um artigo - veja o post, Artigos Técnicos: um mapa mental e uma lição sobre oportunidades, comdicas para fazer isso.
    • Publique aprendizados.
    • Compartilhe referências.
    • Não se esqueça de responder aos comentários!

  • Reaproveite o conteúdo - O conteúdo pode ganhar novas formas e alcançar públicos diferentes:
    • Transforme-o em artigo para o blog, LinkedIn, Medium ou outras plataformas.
    • Crie postagens com ideias específicas da apresentação.
    • Produza um vídeo ou podcast.
    • Publique em uma newsletter.
    • Transforme o material em conteúdo de estudo ou workshop.
    • Submeta a palestra em outros eventos.
Sim, estou repetindo a ideia de escrever um artigo! ;)  Mas vale reforçar: reaproveitar não significa simplesmente copiar e colar o mesmo conteúdo em todos os canais. Cada formato tem suas características, e podemos adaptar a mensagem para alcançar diferentes públicos

  • Crie continuidade:
    • Convide as pessoas a acompanhar outros conteúdos seus. Não apenas publique: inclua um Call to Action.
    • Compartilhe canais de contato.
      • Considere usar sites como o Linktree e/ou o AboutMe para consolidar seus contatos e redes sociais em um único link.
      • Tenha um QR Code com seu link ou seus links nas apresentações.
      • Considere uma tag NFC com seu LinkedIn ou outros contatos para facilitar o compartilhamento durante o evento.
    • Participe de discussões sobre o tema.
    • Desenvolva ou participe de uma comunidade.
Enfim: mantenha contato com os participantes.

A apresentação pode ser o início de uma conversa, de uma colaboração ou de uma nova oportunidade. Mas essas possibilidades dependem também do que fazemos depois.


B - O que mais vem depois?

E, depois disso tudo, ainda podemos aprender mais, construir relacionamentos e evoluir.

Como?

1 - Avalie a apresentação.

Comece pela Autoavaliação. Seja sincero/a e pergunte-se:

  • O que funcionou?
  • Onde me enrolei?
  • Quais pontos foram esquecidos?
  • O que poderia ser explicado melhor?
  • Como me senti?
  • O público reagiu como eu esperava?
  • Respeitei o tempo?
Porcure fazer essa reflexão logo após a apresentação, enquanto as lembranças ainda estão frescas.

Depois, busque Feedback de pessoas que assistiram, especialmente daquelas que possam oferecer uma avaliação sincera e construitiva. Algumas perguntas que podem ajudar:
  • O que ficou mais claro?
  • Quais pontos ficaram confusos?
  • O que poderia ser melhor explicado?
  • Que sugestões você daria para uma próxima apresentação?
Registre as sugestões e compare diferentes perspectivas.

Também podemos considerar alguns Indicadores:
  • Participação.
  • Perguntas recebidas.
  • Feedback dos participantes.
  • NPS, quando aplicável.
  • Ações realizadas após a palestra.
  • Interações posteriores.
  • Convites recebidos.
  • Oportunidades geradas.
Nem todos os indicadores fazem sentido para todas as apresentações. O importante é avaliar os resultados considerando o propósito definido no primeiro ramo do mapa mental.

Se meu objetivo era desenvolver a oratória, por exemplo, talvez minha evolução na comunicação seja mais relevante do que o número de convites recebidos.

2 - Construa relacionament
os.
  • Agradeça aos organizadores.
  • Converse e conecte-se com outros palestrantes e participantes.
  • Mantenha contato com comunidades.
  • Continue compartilhando referências.
  • Mantenha a discussão aberta.
Networking não precisa ser uma atividade artificial, feita apenas para acumular contatos. Pode ser uma consequência natural de conversas interessantes, interesses compartilhados e contribuições genuínas.

3 - Desenvolva sua carreira.

Aproveite a experiência para atualizar e organizar seu histórico profissional:

  • Registre a palestra no currículo.
  • Atualize seu perfil profissional.
  • Atualize seu portfólio de palestras - se você ainda não tem um, considere criar.
  • Organize gravações e materiais.
  • Registre resultados.
  • Identifique novas oportunidades.
  • Desenvolva novos temas.

Esses registros ajudam a demonstrara evolução da sua trajetória e facilitam a preparação de futuras propostas.

4 - Melhore continuamente.

Por fim, não deixe que o aprendizado termine com a avaliação.

  • Incorpore os feedbacks.
  • Atualize o conteúdo.
  • Melhore os exemplos.
  • Ajuste a narrativa.
  • Revise os slides.
  • Ensaie novamente.
  • Repita a apresentação em outros eventos.
  • Teste novos formatos.

Cada aprsentação é uma oportunidade de aprender e aprimorar o trabalho.

E, quando voltamos a apresentar o mesmo tema, podemos perceber o quanto evoluímos - tanto no conteúdo quanto na forma de comunicá-lo.


Do sonho ao palco. Do palco ao impacto.

Este mapa mental reúne ideias, possibilidades e práticas que podem ajudar a organizar a jornada de quem quer palestrar. Não é uma receita pronta, nem pretende cobrir todas as possibilidades. É um ponto de partida, e um convite para continuar aprendendo.

Afinal, palestrar não é apenas demonstrar o que sabemos. É transformar conhecimento e experiência em algo que faça diferença para outras pessoas.

E essa jornada não começa quando subimos no palco, nem termina quando descemos dele.

Começa quando decidimos o que queremos compartilhar, continua em cada oportunidade de aprender e se transforma à medida que ampliamos o alcance do que fazemos.

Mapa Mental completo: Como Palestrar - do sonho ao palco, do palco ao impacto.
Clique no Mapa Mental para vê-lo maior.


Agora, quero saber de você: o que mais gostaria de ter aprendido antes de sua primeira palestra? E o que ainda está buscando aprender?

Vamos ampliar este mapa juntos!


#ComunicaçãoTécnica #Palestras #ProfessionalDevelopment

Tuesday, October 13, 2026

Artigos Técnicos: um mapa mental e uma lição sobre oportunidades

Em 2018, fui convidada para falar sobre "Como escrever um artigo técnico" no WomenIT, que aconteceu na IBM Tutóia.

Acho que foi minha primeira apresentação em algum evento técnico. Lembro-me de estar preocupada em montar algo simples, mas completo - que servisse de guia, mas não de muleta, e que as participantes pudessem consultar e utilizar depois.

Preparei a apresentação em formato de um mapa mental, desenvolvendo um dos ramos em cada slide.

Ao final, havia também alguns slides de apoio com informaçòes adicionais que poderiam ajudar as participantes a trabalhar em seu CTA (Call to Action): escrever um artigo sobre tecnologia para publicação como Mini Paper do TLC-BR (Technology Leadership Council Brasil), filiado à IBM Academy of Technology.

O mapa mental que resultou dessa apresentação, entitulada Artigos Técnicos, e eu com isso?! ...desafios à vista, é bastante completo e, acredito, continua útil. Por isso, em vez de reproduzir todo o conteúdo aqui, vou simplesmente compartilhá-lo:

Mapa Mental: Artigo Técnico

Ele está dividido em 7 ramos principais:

  1. Por que escrever?
  2. O que escrever?
  3. Para quem escrever?
  4. Quando escrever?
  5. Como escrever?
  6. Escrevendo
  7. Publicando


Uma lição sobre quando escrever

Gostaria de destacar um desses ramos: Quando escrever?

Na apresentação, listei três pontos:

  • Oportunidade
  • Prazo
  • Relevância

Por que chamar a atenção para isso? Para compartilhar uma experiência e, quem sabe, ajudar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro que eu cometi muitas vezes.

Tenho dificuldades para escrever. Não é algo que faço de forma fácil ou natural - com raríssimas exceções. Some-se a isso o meu perfeccionismo, que muitas vezes acaba se otnrando um belo bloqueador de entregas. Afinal, o perfeito é inimigo do feito.

O resultado dessa combinação? Muitas vezes, perco oportunidades. Perco o timing.  

Um Call for Papers tem um prazo para terminar. Uma experiência em um evento pode render um bom artigo, mas, se eu demorar demais para escrevê-lo, o momento já passou. E uma tecnologia ou tendência pode deixar de ser relevante - ou até começar a se tornar obsoleta - enquanto ainda estou tentando encontrar a melhor forma de abordar o assunto.

Não basta ter algo relevante para compartilhar. É preciso conseguir compartilhar enquanto isso ainda faz sentido, enquanto isso ainda é relevante.

E é aqui que entra uma recomendação que também preciso lembrar de seguir, até hoje:

Tem uma ideia? Escreva!

Monte um mapa mental, anote algusn tópicos em um papel, pesquise sobre o assunto, leia, discuta com colegas. Mas registre suas ideias!

Quando você reúne as informações, organiza os pensamentos e começa a enxergar as conexões entre eles, já tem boa parte do trabalho encaminhada. Depois, é só constuir a história, o storytelling.

Isso não significa abrir mão da qualidade, da revisão ou do rigor técnico. Significa não deixar que a busca pela versão perfeita impeça a existência da primeira versão.

Afinal, como dizia um professor meu no MBA: se eu não tiver vergonha da minha primeira versão, é porque demorei demais para lançá-la (ele falava sobre releases de softwares, produtos, mas um artigo não é um produto?)


E a Inteligência Artificial?

O acesso à IA Generativa tornou-se mais comum somente após o lançamento do ChatGPT para o público, ao final de 2022. Então uso de IA/GenAI na escrita não fez parte da apresentação original.

Não vou tentar incorporar esse tópico ao mapa agora. Talvez, mais à frente, eu faça uma publicação dedicada a esse assunto.

Enquanto isso, deixo aqui um artigo de opinião que escrevi recentemente, explorando justamente e relação entre IA, escrita, autenticidade e humanidade:

AWPoV - Quando a IA vira nossa régua de humanidade.


E você? Tem alguma dica, experiência ou reflexão sobre escrita, artigos técnicos e Inteligência Artificial?

Compartilhe nos comentários. Vamos trocar figurinhas e expandir nosso conhecimento!

#EscritaTécnica #ComunicaçãoTécnica #ProduçãoDeConteúdo #AI #InteligênciaArtificial

Monday, September 21, 2026

Tomada de Decisão na Liderança Técnica

 Um Framework Prático na Era da IA

Em julho passado tive a oportunidade de estar em Florianópolis / SC participando do TDC Floripa 2026 - e não só isso: apresentado 2 palestras - uma na trilha de Engenharia de Dados e Analytics, e a outra na trilha de Liderança Técnica.

E é sobre esta segunda apresentação que venho falar neste post.




Sobre o tema...

Estamos vivendo um momento que temos IA para tudo - ela responde, sugere, escreve, automatiza processos e ações, acelera decisões...

... mas a IA não compreende contexto, intenção ou impacto.

Imagina isso agora em uma liderança, onde as responsabilidades e impactos são maiores. Achar alternativas não é mais problema - a IA nos traz várias! O desafio nosso agora é decidir com discernimento, responsabilidade e coerência. Pensamento Crítico nunca foi tão importante - ou crítico! - como agora.

Talvez uma das perguntas mais importantes para quem exerce liderança técnica hoje seja:

Se a IA consegue nos dar respostas tão rapidamente, o que exatamente ainda precisamos decidir?

Minha resposta é: praticamente tudo o que realmente importa! Porque a IA reduziu drasticamente o custo de produzir respostas. Ela não reoduziu o custo de produzir julgamento.

Foi a partir desse pensamento que construí esta palestra. A proposta não era falar sobre uma ferramenta específica, nem ensinar um prompt novo.

A proposta era discutir uma mudança mais profunda: o que acontece com a tomada de decisão quando produzir alternativas deixa de ser o principal gargalo?


"Esta, detetive, é a pergunta correta"

Há uma cena de Eu, Robô (2004) que gosto:

O detetive Del Spooner (Will Smith) está diante de um holograma que consegue responder às perguntas. Em determinado momento, o holograma diz:

"Esta, detetive, é a pergunta correta.""

A frase me parece especialmente atual e pertinente a este contexto.

Porque o problema que estamos vivendo com a IA Generativa não é mais, necessariamente, a falta de respostas.

É a capacidade de formular a pergunta certa - e depois, saber o que fazer com a resposta.



Um líder técnico pode perguntar à IA qual arquitetura utilizar, como resolver uma dívida técnica, como estruturar um time ou quais alternativas existem para uma determinada implementação.

E receberá respostas - provavelmente várias, e muitas delas serão boas.

É aí que começa o problema.


O que é uma decisão?

Antes de falar sobre liderança técnica, vale definir o que estamos chamando de "decisão".

Para mim:

Decisão é escolher, entre várias alternativas plausíveis, qual delas faz mais sentido naquele contexto.

Essa definição tem uma consequência importante: Se existe uma resposta obviamente correta, não estamos realmente diante de uma decisão. Estamos diante de uma execução.

A decisão aparece quando temos duas ou mais alternativas boas.

E é justamente isso que mudou com a IA.

Durante muito tempo, um dos grandes desafios do trabalho técnico era encontrar alternativas. Precisávamos pesquisar, consultar documentação, conversar com especialistas, experimentar, comparar tecnologias.

Hoje, podemos pedir à IA que faça boa parte desse trabalho inicial em segundso.

O problema mudou.

Antes: Encontrar alternativas

Agora: Escolher entre alternativas

E, principalmente: Assumir a responsabilidade pela escolha.

Esse é o espaço onde entra o julgamento.


A liderança técnica é mais parecida com poker do que com xadrez


Existe uma metáfora muito usada para falar de estratégia e liderança técnica: o xadrez.

Faz sentido: Xadrez envolve estratégia, antecipação, planejamento e análise de possibilidades.

Mas existe um problema nessa metáfora: No xadrez, temos o tabuleiro inteiro diante de nós. Na vida real, não.

Na liderança técnica trabalhamos com:

  • informação incompleta;
  • premissas que podem estar erradas;
  • dados que chegam aos poucos;
  • probabilidades;
  • mudanças de contexto;
  • consequências que podem aparecer muito depois da decisão.

Então poker parece ser uma metáfora mais honesta.

No poker, não conhecemos todas as cartas. Precisamos tomar decisões com informação incompleta e aceitar que uma boa decisão pode, eventualmente, produzir um resultado ruim.

Isso é importante porque precisamos separar duas coisas: qualidade da decisão e qualidade do resultado.

Uma decisão pode ser boa e ainda assim dar errado. 

E uma decisão ruim pode, "por sorte", dar certo.

Essa distinção aparece de forma importante nos trabalhos de Annie Duke e Philip Tetlock sobre tomada de decisão e julgamento sob incerteza.

O objetivo, portanto, não é construir um processo que garanta resultados perfeitos. É construir um processo que aumente a qualidade do nosso julgamento dado aquilo que sabemos no momento da decisão.


Então, onde entra a IA?

É aque que o framework começa a tomar forma.

A premissa é simples:

A IA deve ser uma co-worker e uma amplificadora do pensamento. Não deve ser o centro da decisão.

Ela pode nos ajudar a explorar possibilidades, levantar hipóteses, comparar cenários, identificar riscos, estruturar argumentos e até questionar nossas premissas.

Mas existe uma diferença fundamental entre:

"A IA sugeriu."

e

"A IA influenciou."

A primeira é uma informação. A segunda significa que aquela informação entrou no nosso processo de decisão. E essa diferença importa.


O fluxo perigoso

Um dos padrões mais simples, e mais perigosos, do uso de IA é:

Pergunta → IA respondeu → Executar

É rápido. É conveniente. E pode funcionar muito bem quando o problema é simples e o risco é baixo.

Mas em decisões relevantes de liderança técnica, ele tem 3 problemas: sem contexto, sem critério, e sem responsabilidade.


O fluxo que funciona

O fluxo propost é diferente:

Problema → IA explora → Líder julga → Decisão → Responsabilidade

Aqui a IA continua tendo um papel importante: ela ajuda a ampliar o espaço de possibilidades, mas o julgamento continua no centro.

O líder técnico é quem precisa filtra relevância, contextualizar as alternativas, reconhecer limites e assumir a decisão.




O framework: 6 camadas para decidir melhor

E aqui temos o framework que apresentei no TDC.

Ele possui 6 camadas:

  1. Intenção
  2. Contexto
  3. Geração Guiada
  4. Filtragem
  5. Julgamento Humano
  6. Revisão e Aprendizado

A ideia não é transformar decisão em um processo burocrático. É justamente o contrário: é criar uma estrutura simples o suficiente para reduzir ruído quando existem muitas alternativas plausíveis.



1. Intenção

Antes de perguntar qualquer coisa para a IA, precisamos saber:

Qual decisão estamos tentando tomar? E qual é o objetivo?

Uma pergunta mal formulada pode produzir uma resposta excelente para o problema errado. A IA pode inclusive nos ajudar a reformular a pergunta e levantar hipóteses.

Mas precisamos começar entendendo qual decisão precisa ser tomada.


2. Contexto

Uma IA pode produzir uam reesposta tecnicamente excelente para um problema genérico.

Mas estamos tentando resolver um problema real. E problemas reais têm:

  • restrições;
  • prioridades;
  • riscos;
  • dependências;
  • histórico;
  • pessoas;
  • orçamento;
  • arquitetura existente;
  • estratégia.

Sem contexto, a IA responde para "o mundo". Com contexto, ela pode ocmeçar a responder para o nosso mundo.


3. Geração Guiada

Depois de entender o problema e o contexto, podemos usar a IA para explorar alternativas.

Mas existe uma armadilha aqui:

mais alternativas nem sempre significam melhor decisão.

Se pedirmos 20 opções, provavelmente receberemos 20 oopções. E talvez passemos mais tempo escolhendo entre elas do que teríamos levado para tomar a decisão original.

Por isso, uma boa prática é trabalhar com um número limitado de alternativa - por exemplo, três - e pedir que cada uma venha acompanhada de seus princiapis trade-offs, riscos, custos e premissas.

A IA deve ampliar nosso pensamento. Não criar uma paralisia por excesso de opções.


4. Filtragem

Nem toda alternativa merece chegar à etapa final. Por isso, precisamos definir critérios de corte.

Alguns exemplos:

  • risco regulatório;
  • complexidade;
  • impacto;
  • esforço;
  • alinhamento estratégico;
  • aderência ao roadmap.

E existe uma ideia importante aqui: Defina os critérios antes de se apaixonar por uma alternativa.

Se olharmos primeiro para uma solução que parece brilhante, podemos começar a construir argumentos para defendê-la. É aí que os vieses entram. Filtrar cedo ajuda a reduzir esse problema.


5. Julgamento Humano

Aqui está o coração do framework. A IA sugere. O líder decide.

É aqui que entra o Human in the Loop. O líder valida as informações, chama especialistas quando necessário, confronta premissas e separa um insight criativo de uma afirmação factual incorreta.

E existe uma regra especialmente importante quando estamos falando de pessoas: HITL é obrigatório antes de decisões que afetem pessoas.

A IA pode ajudar a organizar informações, pode sugerir perguntas, pode identificar padrões, pode ajudar a preparar uma conversa. Mas não deve assumir a responsabilidade por decisões humanas.


6. Revisão e Aprenidzado

Uma decisão não termina quando escolhemos uma alternativa. Precisamos também aprender com ela.

Isso significa registrar:

  • premissas;
  • alternativas consideradas;
  • sinais que justificariam uma revisão;
  • critérios utilizados;
  • resultados observados.

E, quando necessário, fazer um post-mortem (mas sem caça às bruxas!)

Se uma decisão foi tomada com boas informações e boas premissas e, ainda assim, o resultado foi ruim, o objetivo não deve ser encontrar um culpado. Deve ser melhorar o processo.


Onde acontece a liderança? Nos trade-offs.

Nenhuma decisão existe isoladamente. Toda decisão favorece alguma coisa em detrimento de outra.

É por isso que os trade-offs não aparecem realmente na geração de alternativas.

Eles aparecem no julgamento.

E é justamente aí que a liderança técnica se manifesta.

Alguns exemplos:



Dívida técnica x Prazo

Entregar rapidamente e acumular dívida? Ou pagar a dívida agora e atrasar a entrega?

Não existe uma resposta universal. Existe uma decisão consciente, baseada em contexto e critérios explícitos.

Autonomia x Intervenção

Deixar alguém do time errar e aprender? Ou intervir agora para evitar um impacto maior?

A IA pode sugerir planos de desenvolvimento, mas não sabe necessariamente quando é o momento certo para deixar algume experimentar, ou quando o risco é alto demais para permitir o erro.

Inovação x Estabilidade

Evoluir a arquitetura para aquilo que promete mais. Ou preservar aquilo que já funciona e é conhecido.

Influência x Autoridade

Convencer um par com argumentos e dados? Ou escalar para qeum possui autoridade formal para decidir?

Essa é uma questão particularmente presente na liderança técnica sem autoridade hierárquica.

Custo x Valor

A solução mai barata é realmente a que entrega mais valor? Nem sempre.


Essas tensões não são problemas a serem elimiados. São parte da própria decisão.


E quando a melhor decisão é parar?

Existe ainda uma decisão parcitularmente difícil em ambientes técnicos: decidir parar.

Um dos vieses mais caros em liderança técnica é a escalada de comprometimento. Continamos investindo em uma iniciativa porque já investimos muito nela:

"Agora que chegamos até aqui, não podemos parar".

Mas o fato de já termos investido recursos não transformar uma tese enfraquecida em uma boa tese.

Uma forma prática de combater isso é definir "kill criteria" antes de começar. Condições objetivas que indicam que uma iniciativa deve ser abandonada ou pivtada.

Por exemplo:

  • falta de tração;
  • custo crescente sem retorno proporcional;
  • baixo valor incremental;
  • complexidade que deixou de se justificar;
  • desalinhamento estratégico;
  • novos dados que enfraquecem a tese original.

Parar também é uma decisão. E, muitas vezes, uma das mais difíceis.

A IA pode ajudar a consolidar sinais fracos de fracasso. Mas novamente:

a decisão de parar continua sendo humana.



Como levar o framework para o dia a dia?

Uma forma simples de aplicar o modelo é combinar cada camada com uma prática de IA.

Por exemplo, diante da pergunta:

"Devemos pagar esta dívida técnica agora?"

Podemos:

Intenção: reformular a pergunta e esclarecer qual decisão realmente precisa ser tomada.

Contexto: usar a IA para mapear impactos e organizar restrições, sem perder as premissas reais do ambiente.

Geração: pedir 3 alternativas, com trade-offs explícitos.

Filtragem: avaliar as alternativas por impacto, risco e esforço.

Julgamento: validar as informações, confrontar premissas e assumir a decisão.

Revisão: registrar as premissas e definir sinais que indiquem quando a decisão deve ser revisitada.

O mesmo processo pode ser utilizado para uma decisão arquitetural, uma questão de desenvolvimento de pessoas ou uma situação de influência sem autoridade.

O problema muda. O processo de julgamento permanece.


O que muda com a IA - e o que não muda?

Essa talvez seja a síntese mais importante da discussão.

A IA muda onde está o gargalo.

antes, boa parte do esforço estava em encontrar informação e construir alternativas. Agora, podemos fazer isso muito mais rapidamente.

Mas algumas coisas continuam exatamente onde estavam:

  • precisamos entender o problema real;
  • precisamos considerar contexto;
  • precisamos reconhecer incerteza;
  • precisamos lidar com trade-offs;
  • precisamos avaliar impacto;
  • precisamos decidir;
  • precisamos assumir responsabilidade;
  • precisamos aprender com as decisões anteriores.

A tecnologia mudou. A responsabilidade não.


5 idieas para começar a praticar

Se eu tivesse que resumir toda a palestra em cinco práticas, poderiam ser:

1- Formule a pergunta certa. Antes de abrir qualquer ferramenta, defina claramente o problema e a decisão que precisa ser tomada.

2- Use IA para pensar mais amplo. Explore alternativas, simule cenários e questione suas próprias premissas. Mas não terceirize o julgamento.

3- Filtre com critérios explícitos. Contexto, risco, ética, responsabildiade e relevância precisam entrar antes da escolha.

4- Assuma a responsabilidade. Decidir é colocar o nome. A IA pode ter contribuido na produção da ideia. Mas ela nunca vai colocar o nome dela na decisão.

5- Aprenda com o processo. Uma decisão boa pode produzir um resultado ruim. Uma decisão ruim pode produzir um resultado bom. Por isso, não avalie apenas o resultado. Revise o processo, as premissas e a qualidade do julgamento.




E talvez seja esse o verdadeiro papel da liderança técnica na era da IA

Quando comecei a pensar nesta palestra, minha preocupação não era descobrir como fazer líderes técnicos "usarem IA". Isso já está acontecendo.

A questão mais interessante para mim, é outra:

O que acontece com a liderança quando produzr respostas deixa de ser difícil?

Entendo que o valor do líder técnico não desaparece. Ele muda de lugar.

Quanto mais fácil fica gerar alternativas, mais importante fica saber qual pergunta fazer, quais alternativas considerar, quais descartar, quais trade-offs aceitar e qual decisão vale a pena assumir.

A IA pode acelerar decisões. Mas a qualidade delas ainda depende do julgamento humano.

E talvez essa seja justamente a razão pela qual a liderança técnica se torna ainda mais importante na era da IA.

Não apesar da IA.

Por causa dela.


Referências

Autores / Livros que inspiraram esta palestra.



Depois volto para falar da outra palestra que fiz, "Do Data Scientist ao Sistema - Automatizando o Ciclo de Analytics com IA".

Mas antes disso, teremos o TDC São Paulo 2026 nesta semana (23 a 25 de Setembro), no Pro Magno, em São Paulo.

Estarei lá coordenando a trilha de Governança de IA, e também falando sobre "Ser bom não é o bastante: visibilidade de carreira na era da IA" em uma mentoria.

Te espero por lá!


#TDCSP2026 #TDC #TDC2026 #TechnicalLeadership #AIGovernance