Showing posts with label TDC. Show all posts
Showing posts with label TDC. Show all posts

Friday, December 19, 2025

Entre o Algoritmo e a Consciência: Ética na Inteligência Artificial

Em novembro de 2025, tive a oportunidade de apresentar no TDC Experience – São Carlos (SCX) uma palestra sobre Ética na Inteligência Artificial.

De certa forma, esta apresentação é uma continuação natural de reflexões que iniciei no TDC Florianópolis, quando falei sobre Ética e Responsabilidade na Ciência de Dados, e que postei por aqui, neste link.


Entre o algoritmo e a consciência
O futuro ético da Inteligência Artificial


Se antes a pergunta era "O que acontece quando os dados enganam?", agora ela evolui para algo ainda mais desconfortável:

O que acontece quando delegamos decisões a sistemas que aprendem com nossos próprios vieses?


A IA não é neutra (e nunca foi)


Casos recentes deixam isso claro:
  • Sistemas de recrutamento automatizado que aprenderam a rejeitar currículos de mulheres.
  • Algoritmos de saúde que priorizam pacientes brancos ou com melhores condições financeiras.
  • Ferramentas educacionais que penalizam criativdade em nome da padronização.

Esses problemas não surgem "do nada".

A Inteligência Artificial é, antes de tudo, um reflexo estatístico da sociedade que a criou.

Ela carrega a "impressão digital":

  • dos dados que usamos.
  • das escolhas que fazemos.
  • das métricas que priorizamos.

Por isso, a IA não é neutra: ela amplifica padrões históricos, sociais e culturais.



Quando o código decide: dilemas reais

A Inteligência Artificial:

  • Aprende com dados históricos.
  • Generaliza padrões.
  • Toma decisões em escala.




Isso nos coloca diante de dilemas éticos reais, como:

  • Um modelo de justiça criminal que prevê reincidência com viés racial (referência).
  • Um sistema hospitalar que reforça desiguladades regionais (referência).
  • Uma IA para garantir integridade acadêmica desencorajando criatividade e risco entre os estudantes (referência).


Vamos explorar um pouco mais alguns cenários...


Cenário 1: Um estudante usa IA para revisar e melhorar seu texto. O texto final fica ótimo, mas muda o sentido original. 

Dilema: O pensamento ainda é dele? O texto final é dele?


Cenário 2: Uma empresa de RH cria uma IA para triagem de currículos. Ela aprende com dados históricos e começa a priorizar homens.

Dilema: Apagar o modelo? Corrigir o viés? Divulgar o erro?

#ParaPensar adicional neste cenário: E se este algoritmo priorizasse mulheres, em detrimento dos homens. Isso seria viés afirmativo? Existe isso?


Nenhum algoritmo foi projetado para ser injusto. Ele apenas aprendeu com os dados, que aprenderam conosco.

Aqui está o "X" da questão: se os dados carregam o passado e o passado tem viéses... como garantir que o futuro será melhor? Como garantir uma IA ética?


A pergunta deixa de ser apenas "o modelo funciona?" e passa a ser:

Funciona para quem?
Em quais condições?
A que custo social?


Ética em IA: princípios e frameworks

A discussão sobre ética em IA não é nova, e nem isolada.

Diversas organizações vêm propondo princípios e estruturas para orientar o desenvolvimento responsável:

OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) - princípios de uma IA confiável (trustworthy AI) / 2019 - link.

UNESCO - ética da IA centrada em direitos humanos e inclusão / 2021 - link1 e link2.

AI Act / União Européia - classificação de riscos e exigências de transparência / 2024 - link.

IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers) - Ethically Aligned Designed: ética incorporada desde o design do sistema / 2019 - link.


Todos estes frameworks convergem para os 5 princípios da Ética em IA:

  1. Transparência: entender como e por que um algorítmo decide.
  2. Justiça: evitar vieses e discriminação.
  3. Responsabilidade: sempre deve haver um humano responsável.
  4. Privacidade: proteger dados e consentimento.
  5. Benefício Social: a IA deve servier à sociedade, não o contrário.


A ideia central aqui é:

Ética não é um "freio" para inovação. 
É o GPS que evita o abismo.


Ética não é burocracia. É responsabilidade.

Na prática, ética em IA não se resume a evitar plágio ou "uso indevido" de ferramentas generativas. Ela envolve:

  • Transparência sobre o uso de IA.
  • Qualidade e representatividade dos dados.
  • Explicabilidade dos modelos.
  • Documentação de decisões.
  • Avaliação de impacto social.

Seja em empresas, na academia ou na educação, ética é a ponte entre a curiosidade e a responsabilidade.


O papel humano na era da IA

Talvez a pergunta mais importante não seja se a IA pode pensar.

Mas se nós continuamos pensando quando usamos a IA.

Consciência, senso crítico e responsabilidade continuam sendo, e talvez nunca tenham sido tão diferenciais humanos.

A ética não é um limite para a IA...
... é o que lhe dá direção.


Concluindo...

A Inteligência Artificial não é neutra.

Ela é um reflexo estatístico da sociedade que a criou - dos dados que reunimos, das escolhas que fizemos, dos vieses que deixamos passar, e dos valores que decidimos ensinar.

Cada dado, cada decisão, cada modelo que treinamos, é uma pequena aula de ética que damos à IA.

Se quisermos uma IA justa, precisamos oferecer dados justos.

Se quisermos uma IA empática, precisamos praticar empatia.

Cada linha de código, cada modelo treinado, cada decisão automatizada é, no fundo, um espelho de quem somos como sociedade.

A Inteligência Artificial tem um potencial imenso de transformação. Mas, como todo poder, ela exige responsabilidade.

O futuro ético da IA não começa no algoritmo.


Entre o algoritmo e a consciência,
o futuro ético da IA começa com uma decisão humana:
a de escolher pensar com consciência


E você?

  • Ja enfrentou dilemas éticos envolvendo IA?
  • Como você / sua empresa ou instituição lida com vieses e transparência?
  • O que ainda falta para termos uma cultura mais ética no uso da IA?

 

Vamos continuar essa conversa...


#PensamentoCrítico #CriticalThinking #EticaEmIA #AIEthics #TDC2025 #ResponsibleAI #IAResponsavel 

Monday, November 24, 2025

Portfólio de Carreira: o registro da sua jornada com propósito

 Há algum tempo, tenho falado sobre um tema que considero essencial para qualquer pessoa que deseja crescer com intenção e clareza (além de self-advocacy): Portfólio de Carreira.

Em maio deste ano, tive a oportunidade de apresentar esse conceito no Women in Tech Global Conference, com a palestra "Crafiting your Career Portfolio: The Key to Self-Discovery and Professional Growth".

E, mais recentemente (na última sexta-feira), conduzi uma mentoria aberta na comunidade do TDC (The Developer's Conference) com o título: "Portfólio de Carreira: o registro de sua jornada com propósito".

As experiências se complementam, e reforçam algo que podemos ver facilmente ao nosso redor (e até mesmo, conosco!): Muitos profissionais tem carreiras lindas, com um monte de realizações, mas não têm um registro estruturado da própria trajetória, dos aprendizados, dos desadios superados e da forma como evoluíram ao longo do tempo. E isso, com o tempo, pode tornar-se um problema - perdermos oportunidades, não lembrarmos de alguma realização importante / relevante, não nos conhecermos (e às nossas capacidades) corretamente.

E é exatamente isso que um Portfólio de Carreira permite construir.



Por que um Portfólio de Carreira importa?

Primeiramente, é necessário entender que um portfólio não substitui o currículo - ele o complementa!

O currículo não conta a sua história toda. Ele mostra uma parte dela, relevante para um momento específico.

Enquanto o currículo é a "chave para a porta", o portfólio é o que conta sua história depois que a porta se abre.

Ele não descreve apenas "o que você fez", mas quem você é como profissional, quais padrões guiam sua atuação, o que aprendeu, que forças desenvolveu e quais pontos está trabalhando para melhorar.

O currículo é o seu bilhete até a porta, o tapete de boas-vindas… É o seu retrato para o recrutador, onde você mostra a sua “melhor pose”.

O Portfólio de Carreira, por outro lado, é o que você tem por trás da porta… O seu “interior”, a sua história, tudo aquilo que faz de você quem você é.

Então, só preciso de um deles?

Não. Ter ambos permite que você esteja preparado/a (estar pronto/a para falar sobre você e de suas realizações), independentemente da situação.

Porque veja: nós nos conhecemos. Eu me conheço. Você se conhece.

Mas… se eu não penso sobre o que já fiz, se eu não reflito sobre isso, talvez eu não esteja pronta para falar sobre minhas experiências com confiança (essa é a palavra-chave).




Um Portfólio de Carreira é transformador porque permite:

  • Autoconhecimento profundo: você passa a enxergar sua trajetória de forma mais clara e honesta.
  • Consciência de padrões e pontos de crescimento: ao revisar projetos, percebe temas recorrentes, como você reage sob pressão, onde mais contribui, onde precisa de apoio.
  • Preparação estratégica para oportunidades: Entrevistas, conversas com liderança, processos de promoção, mentorias. Com um portfólio atualizado, você chega nessas situações não apenas preparado/a, mas dono/a de sua narrativa.
  • Fortalecimento da autoconfiança: Documentar sua evolução mostra por evidências, e não percepções, o quanto você cresceu.


Antes de explicar o que é um Portfólio de Carreira, quero compartilhar de onde isso surgiu...


Em 2012, ainda na IBM, conquistei minha certficação de Technical Specialist L1 / Experienced. Depois avancei para a L2 / Expert, e em 2014, cheguei a L3 / Thought Leader - que tem sua equivalente no The Open Group Distinguished Technical Specialist, que mantenho até hoje.

O que tem de diferente nesta certificação?

Ela não é uma prova ou um exame para testar conhecimento. É um documento que eu mesma escrevo, baseado em critérios claros e skills comprovados: projetos realizados, entregas feitas, responsabilidades assumidas - tudo aquilo que demonstra, na prática, que eu atuo no nível esperado para aquela senioridade. (Aliás, esse tema merece uma postagem só dele - aguardem!)

E foi justamente ao escrever essas experiências que comecei a me confrontar com a minha própria trajetória: o que fiz, como cresci, e como cheguei até aqui. Esse processo me ajudou profundamente a me enxergar como profissional, e a reconhecer minhas habilidades, capacidades e evolução ao longo dos anos.

Mais recentemente, eu li um artigo de April Rinne - HBR, 2021 - "Why you should build a 'Career Portfolio' (Not a 'Career Path')", em que ela defende que, no cenário atual de constante mudança, focar apenas em um “carreira linear” já não é suficiente. 

Em vez disso, ela propõe a construção de um Portfólio de Carreira: uma visão mais ampla e flexível que reúne todas as experiências, habilidades e identidades profissionais (inclusive as não tradicionais). Diferente do caminho único da carreira tradicional, o portfólio reflete a diversidade da trajetória de cada pessoa, incluindo trabalhos formais, iniciativas paralelas, projetos voluntários, habilidades pessoais e vivências que moldam quem somos e como contribuímos.

Criar esse portfólio significa reconhecer que já acumulamos elementos valiosos, conectá-los de forma intencional e usá-los para contar uma narrativa profissional mais completa. Isso traz benefícios como maior autonomia, resiliência diante de mudanças, capacidade de combinar competências para gerar soluções criativas e, sobretudo, uma identidade profissional que evolui junto com você. Dominar sua “narrativa de portfólio” ajuda a comunicar esse valor de forma clara em entrevistas, transições e oportunidades futuras, permitindo que você se posicione com mais confiança em um mercado repleto de incertezas.


Pessoalmente, eu não acho que é "um ou outro". Entendo que precisamos dos 2:
  • Um Career Path claro, para ter direção.
  • Um Career Portfolio, para ter consciência, intencionalidade e profundidade.


Então...

O que é, afinal, um Portfólio de Carreira?


É uma ferramenta dinâmica, reflexiva e estratégica que reúne 4 pilares:



1 - Funções e Projetos

O que você fez / What you did

Não é apenas uma lista de atividades. É o contexto: qual era o desafio? O que estava em Jogo? Qual foi seu papel real? 

Este pilar documenta sua experiência profissional e projetos chaves. Ele vai além de títulos, antes, destacando impacto, desafios enfrentados e lições aprendidas.

Perguntas a fazer:
- Qual foi sua principal função e responsabilidades?
- Que projetos você liderou ou contribuiu?
- Quais resultados você ajudou a alcançar?
- Que skills (conhecimentos) você usou ou desenvolveu?

Tem muitas formas de documentar isso. Eu pessoalmente gosto do método 5W2H (que expliquei um pouquinho neste post). Apesar de não ter usado, já ouvi sobre o Método STAR (Situation / Situação, Task / Tarefa, Action / Ação e Result / Resultado), para responder, de forma clara, estruturada e completa, perguntas comportamentais e de entrevista, focando em experiências).  Mas, independente do método, o importante é documentar!


2 - Pontos Fortes e Fracos

Quem você é / Who you are

Aqui entra a vulnerabilidade e honestidade.

Quais características apareceram nessas atividades e projetos? O que te ajudou? O que te atrapalhou?

Neste ponto, você tem a oportunidade de observar e fazer uma reflexão inicial nos seus skills / conhecimentos, comportamentos, e áreas para melhoria. O objetivo é promover um auto-conhecimento e identificar padrões de performance.

Perguntas a fazer:
- Quais são minhas principais forças técnicas e comportamentais?
- Em que situações eu me destaco naturalmente?
- Que tipo de feedback eu recebo mais frequentemente?
- Que áreas eu sinto que preciso desenvolver?

Uma ferramenta para usar neste pilar, para documentação, é a Matriz SWOT (Strenghts / Weaknesses / Opportunities / Threats), ou em português, Matriz FOFA (Forças / Oportunidades / Fraquezas / Ameaças).


3 - Ações de Crescimento

Como você cresce / How you grow

Quais passos você tomou ou ainda quer tomar para evoluir? Como transformou fraquezas em pontos fortes?

Este pilar mostra como você tem buscado desenvolvimento - e isso inclui cursos, certificações, mentoria, leituras, eventos e toda e qualquer ação de aprendizado intencional - esta é a palavra-chave: intencionalidade, com foco!

Perguntas a fazer:
- Que ações você tem tomado para crescer profissionalmente?
- Que cursos ou certificações você completou?
- Você participa / participou em mentorias, eventos, comunidades?
- Você aplicou / tem aplicado o que você aprendeu?

Uma pergunta extra (de provocação mesmo!): Quando você completa um treinamento ou obtem uma certificação... Como você posta no LinkedIn? - assumindo que você posta, é claro!

Apenas o "post padrão": "completei o treinamento XYZ", ou "obtive a certificação ABC"? Ou você investe um tempo para refletir no treinamento / certificação... O que te motivou a fazê-lo? O que você aprendeu de importante? Qual a relevância deste treinamento para você e sua carreira? E como você aplicou ou planeja aplicar o conhecimento adquirido? #PenseNisso


4 - Padrões e Reflexões

Por que isso importa / Why it matters

É a camada estratégica, que conecta todos os pilares, em que você reflete na sua caminhada, identifica padrões, valores, motivações, e define seus próximos passos.

Enquanto os outros pilares você pratica constantemente - ao terminar um projeto, ao finalizar um treinamento, ao adquirir um conhecimento, este pilar, você pode passar por ele "de tempos em tempos". 

A maioria dos/as profissionais só passam por este pilar no final do ano - geralmente motivados pela "avaliação de desempenho" que é feita nas empresas. Mas, fazer 1x por ano é muito tempo parado... Quanta coisa não aconteceu em 1 ano? Quantas oportunidades passaram? Quantos projetos e treinamentos concluídos e não refletidos, e nossa mente já esqueceu?

O ideal é passar por este pilar uma vez por trimestre (se não uma vez por mês!).

Fazer uma pausa, rever o que já foi documentado dos pilares anteriores, e se perguntar:
- Que temas ou padrões apareceram neste período?
- O que aprendi sobre mim mesmo/a?
- Que tipo de trabalho me anima (ou me desanima)?
- Quais são meus próximos objetivos? O que quero alcançar no próximo período?

Fazendo isso periodicamente além de ajudar no auto-conhecimento, planejamento de carreira e crescimento, certamente ajudará nas entregas e na preparação para a temida avaliação anual de performance/desempenho.


Como usar o Portfólio de Carreira no dia a dia

Ele se torna uma ferramenta extremamente poderosa quando aplicado em:

  • Entrevistas: trazendo histórias reais, não bullet points.

  • Avaliação de desempenho: mostrando evolução, contexto e impacto.

  • Mentorias e coaching: facilitando conversas mais profundas e objetivas.

  • Planejamento de carreira: identificando próximos passos com base em dados da sua própria trajetória.

O objetivo é simples: empoderamento através da autoria da própria história.

Você conhece sua trajetória, mas registrar e refletir sobre ela te dá voz. E a capacidade de apresentá-la com confiança.



Comece pequeno...


O maior erro é acreditar que é preciso reservar horas, semanas ou meses. Não é.

Comece pequeno, documentando um projeto. Escolha um marco recente da sua carreira e refleta:
  • O que foi feito?
  • Quais forças apareceram?
  • Quais desafios enfrentei?
  • Como reagi diante dos desafios?
  • O que aprendi sobre mim mesmo/a?
  • Que ações de crescimento fazem sentido a partir disso?
  • Que padrões aparecem quando comparo com outras experiências?
Pequenos registros se acumulam. E, com o tempo, se transformam em um mapa extremamento poderoso de sua jornada.

Para ajudar, criei um template para documentação de Portfolio de Carreira, e está disponível para download neste link. Fique à vontade para baixar este template, ou criar o seu próprio. O importante é documentar!


Por que tudo isso é tão importante?


Porque ninguém vai contar sua história por você. E por que suas conquistas, aprendizados e superações não falam sozinhos.

Um Portfólio de Carreira não é um documento. É um ato de autoria.

E você merece ser autor/autora da sua trajetória - com clareza, intenção e propósito!


Dica extra: se quiser ler mais sobre como apresentar suas realizações, de forma a tê-las reconhecidas de maneira mais acertivas, leia esta minha postagem: Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas! (Self-Advocacy).


E aí? Pronto/a para começar seu Portfólio de Carreira? Compartilhe aqui o que você achou, dificuldades, experiências e sugestões para expandir esse tema...  Vamos continuar a conversa!


#CareerPortfolio #CareerGrowth #WomenInTech #TDC #SelfDevelopment #Career #CareerDevelopment 

Wednesday, November 19, 2025

Ética e Responsabilidade na Ciência de Dados

Em 11 de junho de 2025, tive a oportunidade de compartilhar na Trilha de Data Science do TDC Florianópolis 2025, reflexões sobre Ética e Responsabilidade na Ciência de Dados.

Agora, registro aqui alguns pontos principais da minha apresentação...


Quando os Dados Enganam

Ética e Responsabilidade na Ciênica de Dados



Introdução


Não há como negar: os dados estão em tudo, moldando decisões importantes e impactando nossas vidas. Eles carregam um poder transformador - e muitas vezes, perigoso. Você já parou para pensar o que acontece quando os dados enganam?

Nesta apresentação, explorei o ciclo de vida dos dados para entender como a ética deve permear cada uma de suas etapas.  A LGPD dá o tom, mas, como Cientistas de Dados, o que podemos e devemos fazer para garantir a integraidade dos dados e das informações, das histórias que eles contam?


Vamos começar com uma provocação:

"Se você torturar os dados por tempo suficiente, eles confessarão qualquer coisa."


Esta frase, de Ronald Coase, economista britânico e Nobel de Economia (1991), ilustra bem o poder, e o perigo de manipular dados para ququer fim desejado. 

Vivemos na era dos dados. Eles estão por toda parte - nos aplicativos que usamos, nas decisões que nos afetam, nas políticas públicas e nas estratégias empresariais.

Mas... e se eles, os dados, estiverem errados?

Ou pior: e se os dados forem usados de forma a distorcer a realidade?


O objetivo desta postagem, é refletir sobre o papel da ética na ciência de dados, entender como decisões aparentemente técnicas podem ter impactos sociais profundos, e talvez o mais importante: o que pode ser feito para garantir que os dados sirvam ao bem comum.


Um pouco de história...


Antes de entrar no tema efetivamente, gostaria de compartilhar como me interessei ética e dados.

Em 2024, participei de um Datathon do Women in Data Science sobre Equity in Healthcare. O desafio era criar modelos preditivos para estimar o tempo até o diagnóstico de câncer metastático em pacientes com câncer de mama. Ao analisar o dataset, percebi que variáveis importantes, como o IMC (Índice de Massa Corporal), tinham muitos valores ausentes. Tentei várias técnicas de imputação, mas, devido ao perfil majoritário dos pacientes (brancos), o viés persistia. Esse desafio me fez refletir sobre como tratar dados de forma ética e responsável.

No meu dia a dia, também vejo como a forma de apresentar dados pode mudar percepções. Por exemplo, ao medir o tempo médio de resposta do meu time a requests, a média aritmética era distorcida por outliers. Ao usar a mediana e gráficos boxplot, o desempenho real ficou mais claro.

Veja um exemplo:



E, finalmente, não posso deixar de citar o livro "Como mentir com estatística". Não vou entrar em muitos detalhes neste ponto, pois já fiz uma postagem dedicada ao livro aqui - leiam esse post, e vocês entenderão.


O Poder dos Dados


Dados são usados para, se não tudo, muita coisa atualmente: eles são usados para aprovar empréstimos, selecionar candidatos, prever doenças, definir políticas públicas.

E a crença comum é que dados são "objetivos". 

Odeio ser a portadora de más notícias, mas os Dados NÃO são neutros - eles carregam vieses de quem os coleta, interpreta e aplica. Eles refletem escolhas humanas e, por isso, precisam ser tratados com responsabilidade.


Um teste..


Durante a apresentação no TDC, eu fiz um teste com quem estava presente. Usando o SLIDO, perguntei:

Você prefere trabalhar presencialmente ou remotamente?
Foi um momento divertido, e as respostas muito esclarecedoras - mais pelos "buracos" e dúvidas que elas traziam, do que pelas respostas em si...

Estou falando do Viés da Coleta. Será que a amostra de respostas que eu recebi representava todos os profissionais de tecnologia do Brasil? Do TDC Florianópolis?

O que influencia as respostas:
- Quem está presente no evento? Quem não está?
- Quem respondeu foram mais os participantes do digital/online, ou de participantes presenciais?
- Qual o perfil socioeconômico? 
- Eram todos de Santa Catarina ou tinha pessoas de outros Estados do Brasil? Ou de fora do Brasil?

Quantos pontos abertos!

A Coleta de Dados é o primeiro ponto onde o viés pode surgir - e muitas vezes, esse ponto passa desapercebido.


Outra consideração importante:

Correlação não é Causalidade


Dados podem mostrar padrões - mas interpretar esses padrões exige cuidado, contexto, pensamento crítico e responsabilidade.

Exemplos de correlações espúrias (como este exemplo do site Spurious Correlations) ilustram como relações aparentemente significativas podem ser apenas coincidências.




Há vários outros exemplos de quando os dados enganam, como:
Esses casos mostram que A manipulação de dados pode ser sutil - e extremamente perigosa!


Ética na Ciência de Dados


A ética não é um extra na Ciência de Dados: ela é um requisito fundamental!

Fundamentos de Ética em dados, como em um Manifesto Ético do Cientista de Dados:
  • Justiça: evitar discriminação e viés algoritmico.
  • Transparência: tomar decisões compreensíveis e auditáveis.
  • Responsabilidade: assumir as consequências do uso de dados.
  • Privacidade: respeitar os direitos dos indivíduos sobre seus dados.

No Brasil, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), traz princípios fundamentais para os dados, como:
  1. Finalidade
  2. Adequação
  3. Necessidade
  4. Livre Acesso
  5. Qualidade dos Dados
  6. Transparência
  7. Seguraça
  8. Prevenção
  9. Não discriminação
  10. Responsaiblização de contas.

Organizações internacionais reforçam esses pilares, como foco em IA Responsável:

  • OCDE: recomenda IA que seja robusta, segura, justa, explicável e centrada no ser humano.
  • UNESCO: defende IA que respeite direitos humanos, diversidade cultural e sustentabilidade.
  • AI Act (União Européia): propõe classificação de riscos e obrigações éticas conforme o impacto da IA.


Como aplicar isso na prática?


Questione! Por exemplo, pergunte "Por que estamos coletando esse dado?""

Documente decisões e premissas do modelo.

Use ferramentas de auditoria e explicabilidade (XAI).

Crie comitês de ética em dados dentro das organizações.

Promova diversidade nas equipes de ciência de dados.

A ética em dados não é apenas uma escolah técnica: é uma escolha civilizatória. É o que garante que a tecnologia sirva às pessoas, e não o contrário.

 

Até aqui, falei muito sobre a ética na coleta dos dados. Mas a ética deve estar presente em todo o ciclo de vida dos dados:



O papel do Cientista de Dados


Então, qual o nosso papel, como cientistas de dados nisso?

Ser um bom cientista de dados é, acima de tudo, ser um profissional ético.

E, indo além para outros profissionais de dados...


Afinal, Ética não é só sobre o que fazemos com os dados, mas é também sobre como os tratamos em cada etapa do caminho.


Para refletir

  • Você já enfrentou um dilema ético em projetos de dados?
  • Como você / sua empresa lida com privacidade e viés?
  • O que você acredita que falta para termos uma cultura mais ética em dados?


Concluindo...

Os dados têm poder, e como poder, vem responsabilidade.

Ética é o que transofrma tecnologia em progresso real.

Precisamos de profissionais que não apenas dominem técnicas, mas que também saibam fazer as perguntas certas, com pensamento crítico.

Com grandes dados, vêm grandes responsabilidades.


Vamos juntos construir uma cultura de dados mais ética, transparente e inclusiva?

Deixe seu comentário, compartilhe suas experiências, e vamos continuar essa conversa!


#PensamentoCrítico #DataLiteracy #DataScience #CriticalThinking #DataEthics #TDC2025

Monday, October 21, 2024

Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas!


Em setembro passado (há pouco mais de um mês), como mencionei neste post (E teve TDC São Paulo 2024! Trilha Data Science), participei do TDC São Paulo 2024. Além de co-coordenar a trilha de Data Science, também tive o prazer de compartilhar um pouquinho do que tenho estudado e aplicado na minha carreira na trilha Carreira e Mentoria.

Nesta edição, falei sobre Self-Advocacy: "Suas realizações não falam por si mesmas. Dê voz a elas!". E agora, nesta postagem, vou compartilhar um pouquinho do que falei lá para quem não teve a oportunidade de participar.


Para começar, uma reflexão...


Você completou aquele super projeto e ...?

Você tirou várias certificações técnicas no ano, completou todos os requerimentos do trabalho, entregou várias inovações e ...?

Você se esforçou, virou noite, fez horas extras e ...?

... NADA?


Será que faltou algo?

SIM! Alguém falar por suas realizações - já que elas não falam por si mesmas.

Faltou Self-Advocacy!



Compartilhando experiências...


Como ganhei meu Sansão de Pelúcia...


Quando comecei a namorar, sempre passava em frente a uma loja e soltava indiretas sobre como gostava daquele coelhinho. Só que nunca dizia claramente: "Quero que você me dê o Sansão de presente".

Algumas (várias) indiretas depois, meu namorado me disse para ser clara nos meus pedidos.

Ganhei o Sansão, mas a lição vai além de presentes: se meu namorado precisou ouvir claramente, imagine meu gerente, meu mentor, meu sponsor.


Três Certificações de carreira em um ano...

Há alguns anos, tirei no mesmo ano 3 certificações de carreira. Uma delas foi esta do The Open Group: Distinguished Technical Specialist (The Open Certified Technical Specialist (Open CTS) Certification). Também cumpri as outras metas para desenvolvimento.

Mesmo assim, minha avaliação anual de performance foi apenas "achieved" (e não "exceeded", já que obtive certificações que não estavam planejadas e duas eram no nível mais alto possível).

Isso me fez entender a necessidade de comunicar efetivamente nossas conquistas.


Com estes exemplos, já podemos pensar nos impactos...



Quais são os impactos quando nossas realizações não são reconhecidas?


Falta de reconhecimento
- nossas contribuições podem passar desapercebidas se não nos destacarmos. Isso pode limitar nosso crescimento profissional e reconhecimento por parte de colegas e superiores.

Baixa visibilidade profissional - profissionais que se destacam em auto-promoção tendem a ter mais visibilidade. Sem isso, podemos acabar ficando em segundo plano, mesmo tendo um desempenho excelente.

Desvalorização do trabalho - sem um esforço ativo para promover o valor do que fazemos, outras pessoas podem assumir o crédito pelo nosso trabalho, ou nossa contribuição pode ser subestimada.

Avaliações imprecisas - quando nossas realizações não são devidamente reconhecidas, nossas avaliações de desempenho podem não refletira a realidade do nosso trabalho; e isso levar a uma discrepância entre o que realmente fizemos e o que foi registrado, prejudicando nosso histórico profissional e futuras oportunidades de crescimento.

Oportunidades perdidas - quando não falamos sobre nossas realizações, podemos ser menos considerados para promoções, aumentos de salário ou novos projetos pois as pessoas podem não estar cientes de nossas capacidades e sucessos.

Promoções tardias ou inexistentes - a falta de reconhecimento pode atrasar ou até impedir promoções. Se nossos superiores não estão cientes de nossos feitos e contribuições, podemos ser passados por colegas que são mais visíveis ou que promovem melhor suas realizações. Isso pode causar frustração e desmotivação.

Dificuldades em negociar - Se não estamos acostumados a destacar nossas realizações, pode ser difícil apresentar argumentos convincentes ao negociar uma promoção, um aumento salarial ou até mesmo novos desafios. A autoconfiança necessária para negociações bem-sucedidas muitas vezes se baseia em um histórico de realizações bem comunicadas e reconhecidas.


Quem nunca passou por uma (ou todas) essas situações?


Vender é uma arte


Arnold Schwarzenegger compartilhou em um vídeo (Sell, Sell, Sell! Arnold Schwarzenegger on The Art of Selling) que vender é uma arte, é a única maneira das pessoas saberem sobre o que fizemos:

Most of the actors in the seventies and eighties refused to sell their movies. They said: “This is not my job. I’m an artist. I don’t sell. I’m not a sales man out there”, and all this stuff. This was my strength, because I studied to be a salesman. And so I realized then the importance of selling. That no matter what you have, if you have a podcast, if you have movie, if you have a painting, if you have a car, a technology, a medicine, whatever it is, if people don’t now about it, you have nothing. The more people that know about your product or about your talent, the more you can go and be successful. So therefore, this idea of selling, publicizing, marketing, communicating, convincing, all of those kind of things is an art.

Foto from Internet (CinemaWeb)


Então a ideia aqui é vender, e promover e vender nosso produto: nós mesmos e nossas realizações!



Autopromoção


O que é:

  • Explicar nosso valor e representar nossos interesses para os outros.
  • Comunicar nossas contribuições e necessidades.
  • Falar por nós mesmos e o que é importante para nós.

O que NÃO é:

  • Rebaixarmos os outros ou deixar que os outros sejam silenciados.
  • Sermos excessivamente ou pouco confiante.
  • Sermos inautênticos.

Mas... alguém pode estar perguntando: "Se fizermos isso, serão que não seremos vistos de forma negativa ou sofrer retaliação?"


Isso é contar vantagem?


Dizzy Dean, um ícone do beisebol americano disse uma vez: "Não é se gabar se você fez isso".

No livro "Brag! The Art of Tooting Your Own Horn without Blowing It" (traduzido como "Diga o que você fez: A arte de se autopromover sem parecer chato"), Peggy Klaus, especialista em comunicação, ensina como promover nossas habilidades e conquistas de forma eficaz e sem parecer arrogante. O livro oferece um guia prático para comunicar nossas realizações de maneira convincente, abordando situações como entrevistas de emprego, avaliações de desempenho e promoções, ajudando os leitores a se destacarem sem ofender ou alienar colegas e superiores.


Então, não! Não é contar vantagem, e há formas de fazer isso. Mas primeiro, precisamos quebrar alguns mitos e mudar algumas formas de pensar...


Forma de Pensar


Foco na Prevenção vs Foco na Promoção


Temos uma tendência natural de pensar com foco na prevenção:
  • Aprendermos a evitar o risco.
  • Evitamos nos expor de forma a evitar demissão.
  • Crescemos ouvindo que não precisamos/devemos "nos vender"
  • Deixamos a timidez dominar nossos pensamentos
  • E deixamos a baixa auto-estima nos controlar
Enquanto deveríamos pensar com foco na promoção:
  • Buscar (e assumir) riscos controlados.
  • Focar nas metas e suas realizações.
  • Focar no sucesso e na criatividade.
  • Ser auto-confiante.
  • Acreditar em nós mesmos.

O foco na promoção não é algo que acontece naturalmente. Precisamos prestar atenção e orientar o cérebro e nossos pensamentos nessa direção. É exercício constante!



Mitos e vícios em nossa forma de pensar


Não podemos assumir...


... que os outros conhecem nossas ações e realizações da mesma forma que nós (Viés Egocêntrico).

... que vemos o mundo exatamente como ele é, ou que os outros veem o mundo da mesma forma que nós (Realismo Ingênuo).

E muito cuidado com...


... o preço que pagamos quando não acreditamos em nós mesmos, em nossas capacidades, habilidades, talentos e dons (Imposto da Confiança).

... a tendência de atribuirmos nossos êxitos à sorte (aleatoriedade), ao acaso ou a um - errôneo - fato de termos enganado os outros, e não ao nosso próprio talento (Síndrome do Impostor).

... a tendência de evitar ou não receber crédito pelo nosso sucesso, mas aceitar a culpa pelos nossos fracassos (Efeito da "Modéstia Feminina" - que tem esse nome por ser mais frequentemente discutido em relação às mulheres, mas que também afeta os homens).



Mais estória...


"Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade, de fato, um sítio que lhe dava muito trabalho e despesa. Reclamava que era um homem sem sorte, pois as suas propriedades davam-lhe muitas dores de cabeça e não valia a pena conservá-las.

Pediu então ao amigo poeta para redigir o anúncio de venda do seu sítio, pois acreditava que, se ele descrevesse a sua propriedade com palavras bonitas, seria muito fácil vendê-la.

E assim, Olavo Bilac que conhecia muito bem o sítio do amigo, redigiu o seguinte texto:

Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros, ao amanhecer, no extenso arvoredo. É cortada por cristalinas e refrescantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda.

Meses depois, o poeta encontrou o seu amigo e perguntou-lhe se tinha vendido a propriedade.

- Nem pensei mais nisso - respondeu ele. Quando li o anúncio que você escreveu, percebi a maravilha que eu possuia."


Texto extraído do site Pensador, onde há a nota: "Não se sabe a autoria do texto e se o episódio com o jornalista e poeta Olavo Bilac de fato aconteceu. O texto começou a circular na internat por vota de 2008".


Esse texto nos faz pensar sobre conhecer o que temos, do nosso produto: nós mesmos e nossas realizações!



Auto-conhecimento


Precisamos saber e conhecer nosso próprio valor antes de poder explicá-lo para os outros.


Conheça seu valor

É fundamental entender e reconhecer suas habilidades e realizações.

Faça uma autoavaliação honesta das suas competências, conquistas e pontos fortes. Faça uma lista de seus sucessos, certificações e contribuições significativas. Isso ajudará a formar uma base sólida para comunicar seu valor aos outros.

Ferramentas auxiliares: Portfólio de Carreira, Matrix SWOT (FOFA).


Descreva suas contribuições (e seja preciso/a)

Ser claro/a e específico/a sobre suas realizações é crucial.

Em vez de dizer "Contribui para o projeto X", detalhadamente exatamente o que fez: "Liderei a equipe na entrega do projeto X, que resultou em um aumento de 15% na eficiência do processo". Use dados e exemplos concretos para mostrar o impacto do seu trabalho.

Ferramentas auxiliares: 5W2H (veja aqui um posto sobre a Metodologia 5W2H e como usuá-la para documentar suas realizações).


Seja confiante (na medida certa)

Confiança é atraente e transmite segurança. No entanto, é importante equilibrar a confiança com humildade. Reconheça suas conquistas sem parecer arrogante. Demonstre que você acredita nas suas capacidades, mas também está aberto a aprender e crescer.


Saiba o valor do seu trabalho (compare, faça pesquisa no mercado)

Entenda como o seu trabalho é valorizado no mercado. Pesquise sobre salários, benefícios e expectativas para sua posição e indústria. Isso não só ajuda a negociar melhores condições, mas também reforça seu entendimento do seu valor profissional.


Prepare-se!

Conheça todos os detalhes do seu trabalho: números, resultados e impactos. Esteja ciente do que a sua audiência valoriza e adapte sua comunicação para refletir isso. Tenha objetivos claros e realistas sobre como, quando e onde falar sobre suas realizações.

A área de café da empresa pode não ser o melhor lugar para apresentar os resultados daquele super projeto que você completou. Um email pode ser mais que o suficiente para compartilhar uma nova certificação, desde que devidamente detalhado com as informações importantes.

A preparação é a chave para uma apresentação confiante e eficaz.


Palavra chave: PLANEJAMENTO!


Planejar é essencial para saber quando e como promover suas realizações. Isso inclui desde a organização das suas ideias até a estratégia de comunicação.

Tenha um plano de ação para documentar suas conquistas e depois para compartilhá-las em momentos estratégicos, como revisões de desempenho, reuniões de equipe ou redes sociais profissionais.


Algo importante:


Conte com a sorte...


... mas seja agente ativo dela


"Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade"

- Séneca (filósofo romano) 



E finalmente...


Não perca o foco


Comemore cada vitória e mantenha lista das suas realizações!

Pense nisso...

... você tirou uma certificação e compartilhou no LinkedIn.

Como você fez isso?

Apenas clicou na mensagem automática sugerida pela plataforma, ou escreveu um texto explicando a importância da certificação, o esforço investido, e o que espera dela?

... você está completando seu relatório de realizações para sua revisão anual de performance com seu gerente.

Como você descreve o que fez?

Apenas lista as atividades que fez, sem muitos detalhes, ou detalha cada atividade, usando 5W2H e/ou storytelling?

... você está pegando um café na empresa, e encontra o/a CIO do seu lado. 

O que você faz / fala?

Apenas um "Oi, tudo bem?", ou se apresenta, e faz seu "elevator pitch" de forma clara para poder iniciar um network com ele/a?


Dê o devido valor ao que você faz! 
E sucesso!